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    102 DÁLMATAS

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Cento e dois dálmatas? Muito mais! Foram 285 os dálmatas utilizados na mais recente produção dos Estúdios Disney. Fora os cachorros de outras raças. O filme é a continuação do grande sucesso 101 Dálmatas, de 1996, que por sua vez foi baseado no desenho animado A Guerra dos Dálmatas (também da Disney), de 1961. Nada se cria, nada se perde, tudo se refilma.

    Esta nova história começa mostrando um certo Dr. Pavlov, cientista que teria conseguido neutralizar os efeitos nocivos do instinto animal. Suas experiências tornaram os cães amigos dos gatos, os gatos amigos dos pássaros... e Cruella DeVil amiga dos cachorros! Teoricamente reabilitada para o convívio social, Cruella (Glenn Close) obtém liberdade condicional (ela foi presa no primeiro episódio, lembram?) e passa a se dedicar a obras sociais em prol dos bichos. Quem diria? Porém - e sempre existe um porém - algo dá errado na experiência do Dr. Pavlov. É claro! E a confusão recomeça.

    Primeiro "live action" do diretor Kevin Lima (antes ele só havia dirigido desenhos animados, incluindo o ótimo Tarzan), 102 Dálmatas pode até agradar às crianças pequenas pelo ritmo ágil, cores vibrantes e principalmente pelas peripécias das centenas de animais que invadem a ação. Mas é um martírio para os pré-adolescentes e adultos. Principalmente para os que viram o primeiro filme e certamente não encontrarão nenhuma novidade neste segundo. Tudo é muito repetitivo, desde as caretas de Glenn Close no papel principal, até a falta de um roteiro mais elaborado. O excelente Gérard Depardieu está desperdiçado, abandonado num papel sem função e mais do que secundário. Nem curto o filme é: são 102 longos minutos da mais pura falta de imaginação.

    A produção de alto nível, com utilização inclusive de animais construídos em "animatronic" (robôs manipulados por controle remoto), não consegue esconder a falta de criatividade das situações e dos diálogos.

    Uma dica: economize seu dinheiro e leve as crianças para ver O Grinch, a partir da semana que vem. É muito mais negócio.


    29 de novembro de 2000
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br