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    16 QUADRAS

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    Depois do estrondoso sucesso do seriado 24 Horas, tramas filmadas em tempo real parecem ter ficado mais interessantes. Esse é um dos motes do longa-metragem 16 Quadras. Dirigido por Richard Donner (da série Máquina Mortífera), o filme mistura ação e drama nos 116 minutos - de extensão do filme e dos acontecimentos que ilustram seu roteiro.

    Não são nem oito da manhã e o policial decadente e alcoólatra Jack Mosley (Bruce Willis) comparece ao seu trabalho na delegacia apenas para cumprir tabela, após ter ficado de tocaia num apartamento escuro, cuidando de cadáveres para que o local do crime não fosse mexido e as provas apagadas. Nada muito empolgante, assim como sua próxima tarefa delegada na última hora: acompanhar um fugitivo da delegacia ao tribunal. Algo simples que se transforma num verdadeiro pandemônio nas ruas de Nova York, uma vez que o tal do presidiário, Eddie Bunker (Mos Def), é testemunha de diversas irregularidades policiais. Por isso, esse simples trajeto é acompanhado de perto pelos colegas de Mosley, que pretendem "apagar" a testemunha.

    Uma vez que o primeiro atentado contra a vida de Bunker acontece, tudo pode acontecer em 16 Quadras. A direção, de influências documentais, faz com que tudo, no entanto, se torne plausível. Ao mesmo tempo em que a vida da dupla de protagonistas se torna cada vez mais ameaçada, uma profunda amizade cresce entre os dois. Nesse jogo de aparências enganosas, os papéis de mocinho e bandido confundem-se constantemente, iludindo e envolvendo o espectador.

    Além do roteiro dinâmico e muito bem amarrado, vale destacar as atuações dos protagonistas. Bruce Willis está no papel que sempre lhe caiu bem: o de policial, mas desta vez é diferente. Esqueça o vigor físico de Duro de Matar (1988) - o que é evidente, já que o filme está para completar 20 anos de produção. Ele está mais para o Hartigan do mais recente Sin City (2005). Decadente não somente fisicamente, mas, especialmente, sem a esperança de salvar o mundo sendo um policial. Prestes a se aposentar, Mosley perdeu a vontade de viver, ao contrário de Bunker, um contraponto nessa animação. Mais jovem que o policial, a testemunha está na mira de bandidos e foi criado numa vizinhança violenta. Mesmo assim, ele tem planos.

    16 Quadras não é um sopro de frescor no cinema norte-americano, nem pretende. Não muda a vida do espectador - o que também não é essa a intenção da produção -, mas, sim a diversão, o que o longa-metragem cumpre com louvor.