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    2 DIAS EM NOVA YORK

    Dirigido, roteirizado e protagonizado pela francesa Julie Delpy, comédia sofre com artificialismo e piadas insossas<br />
    Por Roberto Guerra
    22/04/2013

    Em dado momento desta comédia dirigida, roteirizada e protagonizada pela atriz francesa Julie Delpy (Antes do Amanhecer), um crítico de arte comenta ao avaliar uma exposição de fotos: "Eu gosto do tema mais do que da execução". É provável que muitos espectadores sintam o mesmo ao assistir 2 Dias em Nova York. O filme está mais para um piloto de sitcom do que para uma comédia sobre choque de costumes. Talvez se Delpy não acumulasse tantas funções – ela também é produtora – o longa tivesse encontrado um rumo.

    O filme é um derivado de 2 Dias em Paris, que a atriz dirigiu em 2007. Marion (Delpy) agora mora em Nova York, é mãe e trocou Jack (Adam Goldberg) pelo radialista Mingus (Chris Rock, estranhamente contido aqui). A vida da família vira do avesso com a visita do excêntrico pai de Marion (Albert, pai de Delpy na vida real), de sua atirada irmã Rose (Alexia Landeau) e de seu namorado maconheiro Manu (Alexandre Nahon).

    Não se preocupe se não viu o primeiro filme, bem mais palatável do que este por sinal. A proposta aqui é acompanharmos a supostamente divertida situação de tensão estabelecidada assim que os familiares franceses de Marion pousam em solo americano e são detidos na alfândega pelo contrabando de algo insólito. E seguem tentativas tacanhas de se extrair humor desta e outras situações. Tudo pouco ou nada engraçado.

    Paralelamente, Marion se prepara para uma mostra de suas fotos em que o ponto alto será o leilão conceitual de sua alma. O estresse com a família deixa a artista atordoada, o que a faz tomar atitudes idiotas e contar mentiras sem cabimento. A situação tira seu marido do sério e este chora suas mágoas para um display de Barack Obama que tem no escritório. Difícil dizer o que é menos risível nisso tudo.

    O filme é carregado de artificialismo fruto de situações improváveis, piadas insossas e personagens caricatos. Delpy parece extremamente insegura no comando do longa que, em momento algum, convence o espectador da realidade apresentada. Se não bastasse, a parte final nos "brinda" com constrangedora participação do ator Vincent Gallo (Tetro) como uma espécie de Mefistófeles. Aqui o que era apenas sem graça torna-se ridículo.