cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    3 MACACOS

    Por Heitor Augusto
    27/02/2009

    Quais os limites de uma família para se manter unida? 3 Macacos acompanha como três pessoas - pai,mãe e filho - lidam com os fantasmas do passado, as tentações do presente e o esforço delas para se manterem unidas, nem que seja nas aparências.

    O diretor Nuri Bilge Ceylan (Distante), que recebeu o prêmio de direção em Cannes, constroi um retrato de tolerância na convivência. Porém, não há suavidade: cada um leva seu quinhão de sofrimento para manter de pé uma casa que parece mais e mais caminhar para as ruínas.

    Eyüp (Yavuz Bingöl) trabalha como motorista para o político Servet (Ercan Kesal) que se envolve em um atropelamento às vésperas da eleição. Temeroso de que o fato atrapalhe sua imagem pública, oferece dinheiro para que Eyüp assuma o crime, o que de fato ocorre.

    Uma vez na prisão, a vida da família sofre mudanças gradativas. Servet usa a carência de Hacer (Hatice Aslan), esposa de Eyüp, para seduzi-la. O filho Ismail (Ahmet Rifat Sungar) está sob pressão para passar no vestibular, mas só pensa em pegar o dinheiro da "indenização" e comprar um carro para transportar crianças. Um caldeirão cujo caldo está prestes a desandar.

    O tratamento visual dessa história pula de uma coloração amarelada para uma ambientação acinzentada. A Turquia pincelada na vida desses personagens vai do calor que traz esperança ao vazio e desesperança do cotidiano. Dá dó olhar o desespero interior de cada membro da família e as mentiras que eles tentam tornar verdades.

    Um argumento interessante para um filme. Bilge Ceylan é bem sucedido ao apresentar como os três lutam e se fingem cegos para não encarar o óbvio. A fotografia é outro elemento manipulado para mostrar a cegueira de Eyüp, Hacer e Ismail. Porém, o roteiro de Ercan Kesal (que atua no longa como o político Servet), Nuri e Ebru Ceylan cria desfechos óbvios para momentos fundamentais da trama. Os pontos de interrogação que eles criam se revelam previsíveis, que enfraquecem a força apresentada por outros elementos para contar a história do desabamento familiar.