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    33

    Por Roberto Guerra
    22/05/2009

    Em tempos de cinema cada vez mais desprovido de originalidade, produções criativas e com abordagens singulares são sempre bem-vindas. Este é o caso do filme 33, do documentarista e antropólogo Kiko Goifman, que chega aos cinemas paulistas na sexta-feira 12. O longa leva ao público uma miscelânea cinematográfica com linguagem própria, que incorpora elementos do cinema policial noir dentro de uma trama documental.

    Tudo começou quando, aos 33 anos, Goifman, que é filho adotivo, se propôs a encontrar sua mãe biológica e a documentar a busca. Estabeleceu, então, 33 dias para cumprir a missão, período em que registrou com uma câmera digital - e também num diário na Internet - todos os detalhes da investigação.

    Em 33, o grande mérito do diretor foi fugir completamente do lugar comum. Em primeiro lugar, despiu seu filme de todo o sentimentalismo barato que se esperaria de um documentário do gênero filho-adotivo-busca-mãe-biológica. Contudo, não fez algo frio ou desprovido de emoções. Suas frustrações, incertezas e decepções ao longo da busca são expostas de forma conscienciosa e corajosa na tela.

    Outro ponto positivo diz respeito ao viés de trama policial noir que permeia o filme. O diretor, fã de histórias de detetive, optou por filmar em preto e branco, alternando imagens da cidade de São Paulo à noite com tomadas diurnas. O resultado é uma atmosfera densa e charmosa como a dos velhos filmes policias do passado. Além disso, 33 traz um humor sutil, às vezes, involuntário, por conta, principalmente, dos depoimentos de detetives verdadeiros entrevistados por Goifman.

    Talvez o grande problema de 33 esteja na montagem. Como não optou por uma trilha sonora típica dos filmes policiais como forma de sustentar o clima de tensão da trama, uma montagem mais ágil seria necessária para imprimir um timing melhor ao filme, passando ao espectador o clima de angústia da contagem regressiva de 33 dias. Mas, infelizmente, isso não acontece. De resto, vale a pena ser visto.