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    OS 47 RONINS

    Filme não empolga e nem mesmo consegue enganar
    Por Roberto Guerra
    30/01/2014

    Assisti à superprodução 47 Ronins já sabendo de seu revés nas bilheterias norte-americanas. Estreou nos Estados Unidos na véspera de Natal e até 26 de janeiro havia faturado minguados US$ 38 milhões. O orçamento do longa foi de US$ 200 milhões. Some a esse valor uma média de US$ 25 milhões gastos em promoção e tem-se a dimensão dantesca do fracasso.

    O que faz um blockbuster - filme feito meticulosamente para atingir o grande público e faturar alto - fazer água? Como executivos versados em minimizar riscos não conseguiram antever um fiasco iminente? Mesmo uma estrutura industrial de produzir entretenimento audiovisual como Hollywood, com décadas de experiência, às vezes erra feio.

    47 Ronins conseguiu unanimidade: não agradou o público tampouco a crítica. A própria Universal, produtora do filme, não se surpreendeu com os números. Sabia que estava com uma batata quente nas mãos. O longa é uma versão americanizada do japonês homônimo de 1941, dirigido por Kenji Mizoguchi. Não há comparações entre ambos.

    Filmado em 3D , a produção leva às telas a lenda mais famosa do código de honra samurai, o bushido. Segundo a história, 47 samurais tornaram-se ronins (samurais sem senhor) depois de seu mestre ser obrigado a cometer seppuku (ritual suicida) por problemas com uma autoridade do país. Liderados por um mestiço interpretado por Keanu Reeves, buscam vingança contra o traiçoeiro soberano que traiu seu mestre e os levou à desgraça.

    Elementos humanos típicos dos filmes de samurai, como lealdade, sacrifício, persistência e honra, são pormenores perdidos em meio a efeitos especiais espetaculosos, cenários deslumbrantes e seres fantásticos - supostamente baseados no folclore japonês, mas que na verdade parecem saídos de uma produção sci-fi. Para piorar, o protagonista vivido Reeves deve ser um dos mais apáticos e insossos vistos desde os tempos dos samurais.

    Trata-se de um filme vazio em conteúdo narrativo, com trama que não empolga e, supreendentemente, incompetente em disfarçar isso. Blockbusters mais eficientes e igualmente medíocres costumam investir num ritmo frenético de ação para anestesiar os sentidos do espectador e ao menos entretê-lo a fórceps na falta de uma história decente a ser contada.

    Os realizadores de 47 Ronins, curiosamente, tinham uma boa história a contar e a contaram mal. Para piorar, foram extremamente inábeis em dissimular sua imperícia.