cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    72 HORAS

    Thriller de ação tem personagens com profundidade e cria forte empatia com o público<br />
    Por Celso Sabadin
    14/12/2010

    São vários os filmes sobre uma família comum que, repentinamente, tem sua vida virada de cabeça para baixo por causa de um acidente e/ou crime e/ou mal entendido. Não é uma fórmula exatamente nova. Mas confesso que a utilização desta fórmula no filme 72 Horas me provocou uma tensão como há muito tempo não sentia no cinema.

    A tal família comum é composta por John Brennan (Russel Crowe, o eterno Gladiador), sua esposa Lara (Elizabeth Banks) e o pequeno filho Luke. Num dia qualquer, como outro qualquer, durante um café da manhã digno de um comercial de margarina, a polícia invade a casa dos Brennan e arrasta Lara para a cadeia, acusada de ter assassinado sua patroa. Todas as provas a incriminam. Dificilmente Lara sairá desta.

    Desesperado, John passa a elaborar uma fuga mirabolante para a esposa. Mas do que um simples professor, sem nenhuma vivência no mundo do crime, seria realmente capaz? Respostas só no final do ótimo roteiro que o próprio diretor Paul Haggis adaptou do original francês Pour Elle, estrelado por Vincent Lindon e Diane Kruguer em 2008.

    Paul Haggis está associado a alguns dos melhores sucessos recentes de Clint Eastwood. Foi ele quem escreveu os roteiros de A Conquista da Honra e Menina de Ouro, além do argumento de Cartas de Iwo Jima. Como diretor, também saiu-se muito bem comNo Vale das Sombras e Crash – No Limite, ambos igualmente roteirizados por ele.

    Agora, em 72 Horas, Haggis ratifica seu talento para o thriller policial, sem abandonar o drama humano, gênero que o consagrou. Desenvolve personagens com veracidade e profundidade, ao mesmo tempo em que cria uma forte dose de empatia com a plateia, fator indispensável para o funcionamento ideal do forte ritmo de suspense que dominará a última parte do filme. Sabe o tempo exato de iludir com pistas falsas e – de quebra – recorre a Cervantes (afinal, o protagonista é um professor) para ensaiar uma breve provocação filosófica: é melhor ser feliz num mundo imaginário ou sofrer no mundo real?

    Isso sem contar a crítica que faz à internet, onde John pesquisa com facilidade alguns golpes ilícitos que o ajudarão a infringir a lei.

    Claro que existem aqueles velhos vícios do cinemão comercial americano, como fazer questão de amarrar didaticamente todas as pontas soltas no final, mas nada que tire o mérito deste thriller vibrante e sufocante.

    Repare no quase irreconhecível Daniel Stern (um dos assaltantes trapalhões de Esqueceram de Mim) no pequeno papel do advogado de John, e inebrie-se com o show particular de Brian Dennehy interpretando o avô.

    Infelizmente o filme não teve nos EUA o merecido sucesso de bilheteria, faturando pouco mais da metade de seu custo. Merece uma sorte melhor por aqui.