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    8 MULHERES

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Isso não é elenco. É a própria seleção feminina da França: Virginie Ledoyen (que atuou em A Praia, com Leonardo Di Caprio), Fanny Ardant (A Mulher ao Lado), Isabelle Huppert (A Professora de Piano), a veterana Danielle Darrieux, de mais de uma centena de filmes, Emmanuelle Béart (Missão Impossível) e Catherine Deneuve (a eterna A Bela da Tarde), todas estão juntas em 8 Mulheres, comédia dramático-musical que estréia nos cinemas brasileiros neste fim de semana.

    O filme não esconde suas origens teatrais. Baseado na peça do francês Robert Thomas, 8 Mulheres se passa totalmente num único ambiente, além de trazer à trama, marcações e interpretações tipicamente de palco.

    A exemplo do que já havia feito em Sitcom – Nossa Linda Família, o diretor François Ozon novamente mira sua metralhadora giratória contra as relações familiares. Tudo se passa nos anos 50, numa mansão isolada por uma nevasca. Às vésperas do Natal, o patriarca da família (Dominique Lamure, que nunca aparece de frente) é brutalmente assassinado. Todas as oito mulheres presentes na casa são suspeitas. Sogra, esposa, cunhada, irmã, duas filhas e duas empregadas, todas são colocadas no mesmo balaio de gatos da desconfiança. Como num livro de Agatha Christie, todas poderiam ter um motivo, e qualquer uma delas pode ser a assassina.

    Ozon dirige o filme em ritmo de farsa. A qualquer instante, como num antigo musical norte-americano, a ação pode ser interrompida para dar espaço a mais brega das canções e a mais cafona das coreografias. Como nas comédias dos anos 50, as cores são fortes e a iluminação é chapada. E como nas piores novelas mexicanas, os meandros dos escândalos familiares são nunca menos que tragicômicos. Propositalmente, o elenco está sempre alguns tons acima do que seria considerado normal. Mas Ozon não busca “o que seria considerado normal”. Pelo contrário. Seu estilo cáustico é impiedoso contra os valores tradicionais, compreendidos e reconhecidos nas bilheterias francesas. Ali, 8 Mulheres atingiu a invejável marca de mais de 3 milhões e 600 mil ingressos vendidos. Menos da metade de O Fabuloso Destino de Amèlie Poulain, é verdade, mas mesmo assim um número bastante expressivo.

    Coletivamente, o elenco de 8 Mulheres conquistou um Urso de Prata no Festival de Berlim deste ano.

    8 de julho de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br