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    A ARTE DA CONQUISTA

    Com promessa de um pouco de inconformismo com o sistema, filme se rende àquilo que prometia contestar<br />
    Por Rogério de Moraes
    23/08/2012

    Em A Arte da Conquista, o jovem George (Freddie Highmore) está quase sempre vestindo sobretudo. Em determinado momento justifica o uso insistente do traje dizendo ironicamente que gosta de camadas. Ao criar esta cena o diretor estreante – e também autor do roteiro – Gavin Wiesen entrega involuntariamente a frágil mecânica de seu filme: uma história conservadora envernizada por uma camada de cinema norte-americano independente e moderninho.

    Cursando o último ano do ensino médio, George prefere desenhar e fazer reflexões sobre o sentido da vida a seus deveres escolares. Diretor e professores sabem que seu grande potencial está perto de ser desperdiçado pelo desinteresse em relação aos estudos. Como todo jovem perto do fim da adolescência, ele experimenta a crise existencial da idade, um sentimento de não-pertencimento misturado à percepção de que a vida se desloca rapidamente rumo ao futuro desconhecido.

    É no meio dessa ebulição que conhece Sally (Emma Roberts), também cursando o último ano. Mas, ao contrário dele, ela não potencializa sua crise tão radicalmente. Cada vez mais próximos, desenvolvem uma amizade espontânea, porém marcada por um claro descompasso. Ele finge ser apenas um amigo, e ela, não perceber seus reais interesses. Além do sentimento complicado, George ainda precisa lidar com uma crise familiar e com a possibilidade de não conseguir se graduar.

    Para emoldurar esta trama juvenil, o diretor usa alguns ingredientes de cinema independente. Há a trilha sonora de composições simples, fotografia sem muitos artifícios e câmera calculadamente vacilante em alguns planos. São elementos que conferem ao filme um frescor juvenil, de cinema despojado. E até que funcionam bem, ajudado pelo bom andamento da narrativa enxuta.

    Em seu início, o longa parte de algumas premissas minimamente interessantes e traz certa contestação nascida da rebeldia juvenil. Uma resistência ingênua, naturalmente, mas ao menos sincera. Há ali a promessa de um pouco de inconformismo com o sistema, com os padrões achatados da sociedade. No entanto, no desenrolar da trama, A Arte da Conquista se rende àquilo que prometia contestar. Suas soluções para os conflitos não são apenas de conformação, mas de grande caretice. Revelam, afinal, que por baixo das camadas moderninhas, escondia-se um conservadorismo bastante comum.

    Confirmando a previsibilidade de algumas ações e contaminado pela falta de ousadia em seu desfecho, o que sobra é uma história simpática. Para um filme que prometia ao menos alguma coisa fora da ordem, sua rendição à ordem é, no mínimo, decepcionante.