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    A ÁRVORE

    Sensível e dramático, longa respeita dor da perda e traz Charlotte Gainsbourg em grande estilo<br />
    Por Celso Sabadin
    06/01/2011

    Austrália. Praticamente no meio do nada, ao redor dos largos horizontes e da gigantesca solidão geográfica que geralmente marcam os filmes daquele país, vive uma família comum, com pai, mãe e quatro filhos.

    Logo no início da trama, uma tragédia: o pai morre bem diante da filha menor, Simone (Morgana Davies). Em meio à total depressão que se segue, Simone consegue um apoio, uma fuga para enganar a tristeza: ela passa a acreditar que o espírito de seu pai encarnou na enorme figueira ao lado de sua casa. E isso conforta seu coração. Porém, a vida precisa seguir em frente, e Simone precisa crescer.

    Baseado no livro Our Father Who Art in the Tree, de Judy Pascoe, dirigido por Julie Bertucelli (Desde que Otar Partiu) e roteirizado por Elizabeth J. Mars, A Árvore parece mesmo ser um filme de alma feminina. Sensível, delicado, extremamente emotivo.

    Respeitando o ritmo da dor, a narrativa é ao mesmo tempo segura e envolvente, sem deixar de lado seu cerne emocional. E felizmente sem escorregar no sentimentalismo piegas que o tema poderia proporcionar. A diretora, a mesma do elogiado Desde que Otar Partiu, certamente aprendeu bastante nos trabalhos que realizou como assistente ao lado de cineastas consagrados como Krystof Kieslowski e Bertrand Tavernier

    Com a sempre ótima Charlotte Gainsbourg (Anticristo), num dos papeis principais, A Árvore, que encerrou o Festival de Cannes em 2010, é um pequeno poema cinematográfico, singelo e repleto de sensibilidade.