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    A ÁRVORE DO AMOR

    Diretor de <em>Lanternas Vermelhas</em> narra épico de amor nos anos 1950<br />
    Por Heitor Augusto
    31/10/2011

    Zhang Yimou volta a pensar sobre o passado histórico da china em A Árvore do Amor, épico situado durante a Revolução Cultural, quando Mao Tsé-Tung abafou, a custo de muita propaganda e prisões, uma incipiente oposição.

    Um filme feito nos moldes para emocionar. No contexto político de controle do pensamento, há o amor juvenil de uma estudante, Jing, e um jovem adulto, Sun, membro de uma divisão do Exército. Ela, muito pobre e de “histórico duvidoso”, com seu pai “direitista” encarcerado como preso político e a mãe, antiga professora, agora trabalhando como faxineira.

    Ele, cheio de vida, feliz com o amor, um pouco mais abastado, filho de um general da revolução. Este amor, porém, não pode acontecer: nenhuma mácula pode manchar sua trajetória. Senão, adeus estágio como professora, condições melhores para a família ou a libertação do pai. Um amor impossível, um dos grandes temas das artes.

    A Árvore da Amor é a saga desse amor que tem num espinheiro seu símbolo – não por acaso, ele dá o título original Sob o Espinheiro, em tradução livre. Yimou faz um filme delicado e uma crônica de uma época de inocência, códigos velados da sensualidade.

    Mas essa crônica de Yimou, mesmo que bonita, não chega a ser empolgante ou avassaladora. Ao menos para mim, que enxergo no seu estilo de narrar uma clara aproximação com Claude Lelouch, do clássico Um Homem, Uma Mulher e do recente Esses Amores.

    Para quem gosta do estilo do realizador francês, o filme de Yimou é feito na medida certa. A medida do “cinema de qualidade” que só falta trazer no pôster um selo de garantia: “você vai se emocionar”.

    Arcaico e moderno, um confronto

    O tal espinheiro do filme foi inundado com a construção de uma barragem. Letreiros que aparecem em A Árvore do Amor para contar ao espectador das reminiscências do passado em nosso presente. A China moderna e contraditória pediu passagem. Existe ali, mesmo que de forma incipiente, um comentário sobre o confronto do arcaico com o moderno.

    Essa observação sobre a barragem que soterrou o espinheiro símbolo do amor no filme de Zhang Yimou pode ser estendida sobre um grande filme de outro chinês, Zhang-ke, cujas realizações recentes são dedicadas a como o cinema pode refletir sobre a roda da História. Em seu filme Em Busca da Vida a cidade que será inundada pela barragem guarda memórias de personagens que se desencontraram.

    Diferente de Yimou, outros filmes de Zhang-ke invertem a ordem, colocando o choque temporal em primeiro plano e entrelaçando as histórias ali. Com o desejo, também, de pensar a forma que o cinema pode contribuir para potencializar tais histórias. Como em seu mais recente (e ótimo) longa Memórias de Xangai.

    Dois cinemas com aspirações distintas, mas que permitem observar duas faces de uma moeda: o passado e o presente da China.