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    À BEIRA DO CAMINHO

    Produção cumpre o que se propõe: conduzir o público por uma viagem repleta de emoções que fala ao coração<br />
    Por Roberto Guerra
    05/08/2012

    Em conversa com o diretor Breno Silveira, este me revelou gostar de fazer filmes que mexam com as emoções dos espectadores. Desses que fazem a audiência chorar nos momentos mais dramáticos e sorrir nos alívios cômicos. E Silveira e a roteirista Patrícia Andrade, sua parceria de empreitadas cinematográficas, já demonstraram ter uma boa mão para o melodrama com Dois Filhos de Francisco, que não à toa se transformou em grande sucesso de público.

    Em À Beira do Caminho o cineasta aposta mais uma vez na emoção ao contar a história de João, um caminhoneiro solitário que trafega pelas estradas do país em fuga de uma tragédia do passado que o atormenta.

    É este homem massacrado por lembranças dolorosas – fatos que o público vai conhecendo aos poucos - que cruza o caminho de Duda, menino também em fuga, mas em sentido oposto. Enquanto João busca, para se distanciar do passado, a solidão, Duda foge dela ao partir em busca do pai que não conheceu, após a morte da mãe.

    Em caminhos pessoais opostos, mas seguindo na mesma estrada por força das circunstâncias, estes dois personagens nos cativam de imediato. Ficamos presos à trama querendo saber que conflitos se escondem atrás da rudeza mal dissimulada de João e o que o futuro revelará para o jovem Duda. Devidamente fisgados, seguimos pelas estradas do país acompanhando a dupla neste autêntico road movie movido a descobertas.

    Como se a história de um menino em busca do pai e de um homem atrás de se redescobrir não fosse suficiente para mexer com as emoções, temos a trajetória de ambos embaladas pelas canções de Roberto Carlos, um mestre (ou rei, melhor dizendo) no quesito falar ao coração. O filme, inclusive, surgiu de uma música do cantor, Sentado à Beira do Caminho, fonte de inspiração para Patrícia Andrade e Breno construírem o enredo.

    Sim, são tantas emoções, bicho, e elas são expressas por um elenco afiadíssimo no qual se destacam João Miguel, seguro no papel do amargurado João, e Dira Paes, para quem elogio anda soando como redundância. Ela interpreta um amor do passado do protagonista, fica relativamente pouco tempo em cena, mas o suficiente para encenar a melhor sequência do filme, na qual dança com o menino Duda.

    Interpretado por Vinicius Nascimento (um dos irmãos filhos da evangélica que são assassinados em Ó Paí,Ó ), o garoto se sai relativamente bem. Faltou ao menino, no entanto, talento dramático para segurar a cena final do filme, de forte intensidade emocional, o que fez a produção ter de apelar para alguns subterfúgios.

    Na referida cena, seu personagem tem de chorar e expressar uma grande frustração. Diante da falta de experiência, a opção fazê-lo esconder o rosto contra peito de João Miguel enquanto desfere socos de revolta no amigo. Lembrei na hora de outro Vinícius, o de Oliveira, de Central do Brasil, que, mesmo muito novo na época, conseguiu ser sair muito bem nas sequências mais exigentes do filme de Walter Salles. Faltou uma Fátima Toledo para dar um susto no menino e botá-lo para chorar de verdade. Não ajudam também algumas falas um tanto adultas demais (ou pensadas demais) colocadas na boca do garoto pela roteirista Patrícia Andrade.

    Os deslizes deixam o longa um pouco aquém da verdade emocional que Dois Filhos de Francisco exibiu na tela. Ainda assim, trata-se de uma produção que cumpre o que se propõe: conduzir o público por uma viagem sentimental em que as emoções estão logo ali, à beira do caminho.