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    A BELA DO PALCO

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    Assim como Shakespeare Apaixonado, A Bela do Palco, dirigido por Richard Eyre (Íris), aborda a arte da interpretação no século 17. Baseado em peça de Jeffrey Hatcher (também responsável pelo roteiro), a produção apóia-se nas boas interpretações e na direção de arte caprichada para contar esta história, que acontece quando era proibida a atuação de atrizes nos palcos ingleses.

    Em 1660, Ned Kynaston (Billy Crudup) é considerado a mulher mais bela dos palcos ingleses. Desde jovem, foi treinado a interpretar mulheres. Mas o rei Carlos II (Rupert Everett) se cansa de ver sempre as mesmas atuações e, com o empurrãozinho da amante, permite que mulheres sigam a profissão de atriz, o que acaba com a carreira de Ned. É quando ele ganha a ajuda da sua camareira, Maria (Claire Danes), que nutre pelo ator admiração profissional e uma atração secreta.

    Ned sempre interpretou mulheres no palco e seu trabalho invade a vida pessoal, já que ele carrega os trejeitos femininos para fora do palco e é apaixonado pelo Duke de Buckingham (Ben Chaplin), com quem se encontra secretamente. A liberação da participação das atrizes em palco faz com que ele perca não somente o trabalho, mas também o contato com Maria, que resolve seguir seu sonho de interpretar profissionalmente. Logo os papéis se invertem e é ela quem se torna conhecida no país inteiro como a mais bela dos palcos ingleses. Decadente, Ned afunda cada vez mais em suas dúvidas. Incapaz de interpretar um homem nos palcos, o ator também não consegue se resolver quanto à sua própria masculinidade.

    Apesar do ritmo lento, A Bela do Palco torna-se atraente pela dinâmica existente entre os dois protagonistas, Billy Cudrup e Claire Danes que, como sempre, apresentam ótimas interpretações. A questão da descoberta da própria sexualidade do protagonista toma rumos conformistas, o que não chega a comprometer o longa, que conta, ainda, com atores coadjuvantes que por pouco não roubam a cena, como Tom Wilkinson e Rupert Everett (irreconhecível).