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    A BELA E A FERA 3D

    Desenho continua a apresentar uma jovialidade indiscutível, mesmo em meio às animações digitais de hoje<br />
    Por Roberto Guerra
    31/01/2012

    É impressionante ver como o cinema de animação atingiu um patamar técnico que o torna capaz de transitar sem problemas por todo o espectro da expressão visual. Vide o caso do recente As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne, que, a despeito de suas deficiências narrativas, surpreende pelo apuro técnico.

    Por outro lado, é gratificante ver que nem mesmo a sofisticada modelagem tridimensional de animações feitas com o auxílio de computadores é capaz de ofuscar o encanto e o deleite de se assistir a clássicos como A Bela e A Fera, que reestreia em cinemas de todo o mundo em projeção 3D.

    É interessante observar que as animações hoje em dia estão cada menos voltadas (somente) para o público infantil. Personagens e enredos são planejados com o intuito de atrair, em uma mesma obra, audiências formadas por pessoas de idades diversas, sem abandonar as crianças, claro. A empreitada dos estúdios nem sempre resulta em êxito e, por vezes, as inserções propositais para serem percebidas apenas por jovens e adultos soam falsas ou incômodas, mesmo que os menores não percebam. Por isso é preciso reconhecer o carisma do clássico A Bela e A Fera, uma animação tradicional da Disney cujo enredo cativa crianças e adultos na mesma proporção devido à qualidade de seu roteiro e temática universal.

    Não à toa o desenho continua a apresentar uma jovialidade indiscutível, mesmo em meio às animações digitais de nossos tempos. Cativante, bem-humorado, emocionante e capaz de criar identificação visual, intuitiva e imediata com seu público, o longa é um marco dentro da história do cinema de animação. Foi a primeira produção do gênero a ser indicada ao Oscar de Melhor Filme e o primeiro longa de animação a ultrapassar a marca dos US$ 100 milhões de bilheteria, algo corriqueiro hoje em dia, mas impressionante quando do seu lançamento.

    Para reavivar a memória do público, segue um resumo da história: Bela, uma jovem bonita e inteligente, acha nos livros um meio de fuga de sua tediosa rotina num vilarejo rural. Seu dia a dia pacato sofre uma reviravolta quando seu pai, um inventor atrapalhado, vai parar por acidente no castelo de uma fera horripilante, onde é feito prisioneiro. Para salvá-lo, Bela propõe à fera ficar no lugar do pai, no que é atendida. Com o tempo e a ajuda dos empregados encantados do castelo – entre eles um candelabro, um relógio e um bule falantes - ela começa a perceber que, por trás da aparência monstruosa da Fera, se esconde um homem em busca de redenção. Daí em diante é deixar o coração aberto para o enlevo.

    Quanto ao 3D, o trabalho de conversão foi detalhista e preservou o aspecto artístico da versão original. Não há nada exagerado saltando em cima do espectador. O que foi realizado – com êxito – foi um trabalho de exploração da profundidade das cenas em sintonia com o contexto emocional do filme.

    Sair de casa para rever A Bela e A Fera 3D nos cinemas vale cada centavo do ingresso. Não pelo 3D, por melhor que tenha sido aplicado, mas pela oportunidade de assistir pela enésima vez um filme que jamais envelhece, assim como o amor que ele suscita.