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    A BRUXA

    Minimalista, filme resgata terror tradicional
    Por Iara Vasconcelos
    01/03/2016

    "Menos é mais", já dizia o ditado. Em tempos de filmes de terror com enredos fracos, truques artificiais e gore excessivo, quem imaginaria que uma trama simples como a de A Bruxa resultaria em um dos melhores filmes do ano no gênero?

    O terror, que marca a estreia de Robert Eggers como diretor e roteirista, foi a sensação do Festival de Sundance e teve boa recepção da crítica, além de conquistar sua parcela de fãs, como o mestre Stephen King. Entretanto, se engana quem acredita que o sucesso de A Bruxa é resultado de uma narrativa completamente inovadora. O verdadeiro segredo foi ter resgatado o modo tradicional de se fazer terror, com ares de Edgar Allan Poe e até do próprio King.

    A história se passa na Nova Inglaterra, nos anos 1630. Quando o casal de cristãos fervorosos, William e Katherine, e seus cinco filhos são expulsos da comunidade rural onde vivem por professarem uma fé diferente da permitida, eles se mudam para um local isolado, à beira de uma sinistra floresta. Mas sua estadia logo começa a ser perturbada por estranhos acontecimentos: Animais tornam-se malévolos, a plantação morre e uma das crianças desaparece aparentemente possuída por um espírito maligno. Isso os leva a suspeitar que sua própria filha está envolvida com bruxaria. 

    A Bruxa é essencialmente um filme psicológico e sua trilha sonora é responsável por manter o clima de apreensão, por isso não espere reviravoltas ou violência exacerbada, elementos encontrados facilmente nas recentes produções de terror. Eggers vai direto ao ponto desde o início e não prepara muitas surpresas, mas, mesmo previsível, o longa nos deixa ansiosos pelo próximo passo. A trama e o bom ritmo também ajudam a segurar nosso interesse até o fim.

    Além disso, o cenário parece sempre estar envolto em uma fina neblina e o céu está sempre fechado, garantindo aspecto pesado e melancólico às cenas, o que visualmente é muito interessante. As sequências filmadas na casa também se "beneficiam" pela falta de iluminação e garantem contrastes dramáticos de luz e sombra.

    O que faz de A Bruxa um filme especial é o fato de não ter se limitado a provocar sustos baratos. Com atuações de alto nível e uma preocupação estética admirável, Eggers mostrou que um filme de terror deve sim ser encarado com seriedade e elementos tradicionais, se bem executados, podem garantir um resultado admirável.