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    A COLINA ESCARLATE

    Longa é volta aos romances góticos, mas consegue ser criativo
    Por Daniel Reininger
    15/10/2015

    Guillermo Del Toro está acostumado a trabalhar com o sobrenatural e o fantástico, então ninguém melhor que ele para fazer um retorno deliberado ao estilo clássico de horror gótico. A Colina Escarlate ate apresenta algumas novidades no gênero, algumas surpresas na manga, e, como sempre, o destaque principal é o visual - tanto nos cenários, quanto figurinos e criaturas, aspectos aos quais Del Toro sempre dá prioridade em suas produções.

    Como explica a protagonista em sua narração, a história não é sobre fantasmas, mas sim uma trama com fantasmas presentes. Ou seja, não espere ter os espíritos como foco da produção, a questão aqui é a relação de Edith (Mia Wasikowska, de Alice No País Das Maravilhas), aristocrata aspirante à escritora, que se encanta por Thomas Sharpe (Tom Hiddleston, o Loki de Os Vingadores), nobre inglês que está nos Estados Unidos em busca de recursos para salvar sua propriedade.

    Além disso, Lucille (Jessica Chastain, de A Hora Mais Escura), sinistra irmã de Thomas, parece manipular a todos nos bastidores, principalmente quando a locação muda para a obscura Inglaterra. Lá, não só fantasmas passam a assombrar Edith em sua nova casa, mas nossa heroína também passa a suspeitar que Thomas e Lucille possuem algum segredo obscuro.

    Chastain está incrível como a fria Lucille. A forma como ignora as tentativas de amizade por parte de Edith são verdadeiros tapas na cara da garota. Hiddleston é mais simpático, e parece dividido entre sua fidelidade à irmã e à Edith. Wasiwoska faz bem o papel de mocinha inocente e indefesa, capaz de momentos de força e vulnerabilidade. Conforme a trama avança e os riscos aumentam, a situação dos três personagens se torna cada vez mais desesperada e é aí que os atores se revelam no controle dos personagens.

    Charlie Hunnam (Círculo De Fogo) também está no filme, como proeminente jovem médico, mas que tem pouca utilidade na trama até perto do fim. Embora Del Toro consiga manter o suspense e os destinos dos personagens em segredo por boa parte da trama, para alguém que teria tanto espaço no final, faltou um desenvolvimento melhor. Na verdade, a primeira parte do longa desenvolve demais Thomas e Edith, se tornando até mesmo lenta demais. A segunda parte é muito mais envolvente e é quando as coisas se tornam estranhas e interessantes.

    Até porque, a tal Colina Escarlate do título é um lugar incrível. A casa é praticamente um personagem. Os efeitos das minas de argila vermelha que ficam sob a propriedade fazem parecer que a casa em si sangra. Um buraco no teto faz a neve cair no interior e o subterrâneo parece saído de um conto de H.P. Lovecraft. Mas é a neve vermelha que cerca a casa que chama mais a atenção.

    Além da beleza visual e do clima de terror constante, Del Toro consegue manter o mistério central em segredo de forma envolvente, nunca totalmente revelando qual é a principal ameaça à Edith – embora, no final, a decepção seja inevitável quando percebemos que a conclusão é bastante óbvia. Outro problema pode ser o ritmo, afinal, a trama é lenta, especialmente para os espectadores que estão habituados aos terrores modernos, nos quais o mais importante é a contagem de corpos e não a atmosfera criada.

    Entretanto, quem conseguir relevar essas questões, terá uma experiência gratificante, afinal, Colina Escarlate é um terror como não estamos mais acostumados a ver. Embora possua alguns problemas, principalmente em sua primeira metade, Del Toro mostra mais uma vez o comprometimento com a qualidade de suas obras, mesmo com orçamentos pequenos. Cada cena possui belíssima fotografia, completada pela trilha-sonora envolvente e grandes atuações.

    O longa, apesar de beber profundamente da fonte de romances góticos e possuir muitos elementos reconhecíveis, ainda consegue ser criativo, seja no visual, nos personagens ou no desenrolar da trama. E é ótimo ver um terror ao menos tentar sair da mesmice e ainda divertir no processo.