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    A CONCEPÇÃO

    Por Felippe Toloi
    22/05/2009

    Fato bastante pertinente a ser destacado logo de início: A Concepção é um filme bem, mas bem diferente se comparado às recentes produções nacionais que o espectador tem acompanhado. É preciso estar preparado para suas cenas e diálogos fortes, pois o filme tende a chocar e tratar de maneira mais ousada como um grupo de jovens se relaciona bruscamente como a tríade “sexo, drogas e rock-and-roll”. Também fica claramente evidente a proposta de um longa-metragem brasileiro buscando referências em produções independentes de temática “jovem-irresponsável”, como Trainspotting – Sem Limites e Kids. Porém, existem equívocos em A Concepção e eles não são poucos.

    Em uma tediosa Brasília à mercê do vazio existencialista, algum filhos de diplomatas formam um grupo - composto na tela por jovens semidesconhecidos, como Milhem Cortaz, Rosanne Holland, Juliano Cazarré, Murilo Grossi e Gabrielle Lopes – sob influencia do enigmático X (Matheus Nachtergaele). Em um modesto apartamento na capital brasileira, eles promovem uma série de atos hedonistas: sexo, orgias, sexo, uso de drogas e psicotrópicos e sexo. A figura misteriosa consegue convencer essas almas perdidas a juntarem-se em um movimento intitulado “concepcionista” – que consiste em provocar a morte do ego, ou seja, libertar o ser humano de coisas materais e renovar a personalidade agindo como outra pessoa, representando uma nova identidade. Algo aparentemente interessante, porém feito de forma transgressora e sem idoneidade.

    Um dos destaques fica para a montagem realizada por Paulo Sacramento, diretor de O Prisioneiro da Grade de Ferro. A dinâmica é fulminante e conduzida por um ritmo alucinante. A atuação de Matheus Nachtergaele é novamente brilhante, interpretando com desenvoltura um sujeito multifacetado. Ponto positivo também para trilha sonora, que usa desde nomes consagrados como David Bowie até revelações nacionais como os grupos Tetine e Prot(o).

    Infelizmente, A Concepção é um filme que não atinge um objetivo e tropeça, ironicamente, no que seria o seu próprio ideal. Se o movimento concepcionista trata-se da renovação da identidade, o longa dirigido pelo estreante José Eduardo Belmonte – reconhecido pelo público mais atento pelos curtas-metragens Cinco Filmes Estrangeiros e Tepê - peca por não despertar nenhuma aproximação ao espectador. E, longe de querer defender qualquer conservadorismo hipócrita, A Concepção é um filme fetichista, no qual ocorre somente um desfile de órgãos sexuais na maioria do tempo, confundindo radicalismo com abuso de liberdade.