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    A DAMA DOURADA

    Drama sobre roubo de arte foca no Holocausto para emocionar
    Por Edu Fernandes
    12/08/2015

    As grandes tragédias da humanidade causam consequências imediatas e reverberações tardias. Sobre Segunda Guerra Mundial, o drama A Dama Dourada mostra esses dois tipos de males na mesma história e o resultado é um banho de emoção.

    Baseado em uma história real, o roteiro se passa nos anos 1990, quando Maria (Helen Mirren, de A 100 Passos De Um Sonho) entra em contato com o advogado Randy (Ryan Reynolds, de Deadpool) com um pedido grandioso: devolver a sua família a posse do quadro de Klimt que dá nome ao filme. A pintura é o retrato da tia de Maria (Antje Traue, de O Sétimo Filho), que foi encomendada ao artista no período entre guerras.

    Maria é uma austríaca judia que fugiu para os Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Na opressão dos nazistas, o quadro foi retirado da casa da família dela e depois entregue a uma galeria.

    A grandiosidade da missão se explica porque a obra de Klimt é considerada "a Monalisa da Áustria", como diz o jornalista Hubertus (Daniel Brühl, de O Homem Mais Procurado) que ajuda a dupla de protagonista. Portanto, as batalhas jurídicas se dão contra o governo e se arrastam por anos.

    A disputa pela pintura representa a reverberação tardia à perseguição nazista aos judeus. Ao mesmo tempo, A Dama Dourada mostra as consequências imediatas dos sonhos megalomaníacos de Hitler com flashbacks da juventude de Maria, quando é interpretada por Tatiana Maslany (da série Orphan Black). É nesse vai e vem cronológico que o longa perde o ritmo.

    As manobras inteligentes que Randy executa para continuar na luta são instigantes o suficiente para manter o espectador ligado à história. Aparentemente, o filme não acredita no roteiro de seu próprio roteiro e insere os tais flashbacks emotivos com um tema praticamente infalível no cinema. Apesar de retratarem momentos-chave de sua jornada pessoal, as lembranças de Maria se alongam e tiram o foco do que deveria ser o centro da dramaturgia. Isso sem trazer qualquer elemento novo ao tema do Holocausto, explorado à exaustão em inúmeros filmes.

    É compreensível a inclusão de dramas mais pessoais em um filme de tribunal para temperar a história. No caso de A Dama Dourada, tais conflitos não precisam ser buscados no passado. A própria relação barulhenta entre os dois protagonistas funciona como alívio cômico. Por outro lado, as dificuldades que Randy enfrenta por se dedicar demais ao trabalham funcionam no sentido de humanizar a trama – nesse ponto entra em cena o apoio moral de sua esposa (Katie Holmes, de  O Doador De Memórias).

    A escolha questionável só atesta a força da história principal do filme. O incômodo causado pelo prolongamento das memórias de Maria são prova de que o interesse está no desfecho da batalha judicial. No entanto, essa estrutura narrativa vai levar um público mais amplo ao cinema para conferir o longa.