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    A DATILÓGRAFA

    A nostalgia toma conta do filme em muitos momentos
    Por Daniel Reininger
    24/05/2013

    A Datilógrafa é muito mais divertido e vibrante do que um filme sobre campeonatos de digitação nos anos 50 deveria ser. Mistura nostálgica de comédia romântica e competição esportiva, esta colorida produção francesa é leve e, mesmo com sua história direta e sem surpresas, consegue empolgar.

    O romance entre Rose e Louis é o fio condutor da trama, mas as sessões de digitação roubam a atenção. A preparação da "atleta" é digna de Uma Menina de Ouro ou Karate Kid, em que o jovem aprendiz atura provações do treinador obstinado para conseguir resultados. Durante os torneios, o diretor Régis Roinsard consegue nos surpreender com a ótima montagem, capaz de deixar as disputas emocionantes e compreensíveis.

    O roteiro simples segue fórmulas consagradas ao colocar uma garota do interior em busca de seus sonhos na cidade grande, até que ela se apaixona por seu chefe e decide fazer de tudo por ele. A narrativa linear e sem grandes reviravoltas é compensada pelo ótimo trabalho dos atores Romain Duris e Déborah François. É possível perceber a química entre os dois desde a primeira cena juntos, com toda a inocência dos anos 50, claro.

    Embora as cenas "esportivas" ajudem a manter o bom ritmo, a tensão sexual não resolvida entre os protagonistas tende a cansar um pouco perto do final. Parece que as ideias para o romance acabaram e o cineasta precisou recorrer a repetições para manter o clima vivo. Sorte que nesse ponto estamos envolvidos com o possível sucesso de Rose.

    Para ajudar, a direção de arte e figurinos são impecáveis. Os elementos de cena são detalhados e misturam o visual de filmes da época e a nossa percepção atual sobre o período. A fotografia reforça essas características e, em muitos momentos, imita as tomadas de câmera de Hitchcock, em especial de Um Corpo que Cai, e as cores vivas de Vincente Minnelli, como vistas em Gigi.

    A nostalgia toma conta de A Datilógrafa também em seu estilo narrativo. O cineasta fez um grande trabalho para simular as ideias e atitudes da era Pós-guerra, principalmente a nova posição conquistada pelas mulheres na sociedade. Entretanto, não há espaço para discussões ou novas interpretações do tema, afinal a intenção é divertir e não discutir momentos históricos.

    Quem não está acostumado com o estilo francês de fazer cinema pode ficar sossegado, pois o ritmo desta produção está mais próximo das obras norte-americanas. Se a ideia é assistir uma comédia romântica com algo além do convencional, a história da garota do interior que se tornou celebridade com sua máquina de escrever é uma boa pedida.