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    A DELICADEZA DO AMOR

    Sem os rodeios que dispersam a trama, filme poderia ser uma obra menos irregular e mais consistente<br />
    Por Rogério de Moraes
    17/05/2012

    Sempre lembrada por seu papel em O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001), Audrey Tautou tem um encanto próprio. Os grandes olhos negros, o sorriso tímido, o jeito sonhador e um ar sutil de deslocamento fazem parte desse encanto e contribuem para a que atriz francesa seja frequentemente chamada para papéis em histórias românticas. É mais uma dessas histórias que ela protagoniza em A Delicadeza do Amor.

    Delicadeza é o termo certo para descrever a forma como Nathalie (Audrey Tautou) lida com os caminhos inesperados de sua vida. De vendedora de programas de peças de teatro a um emprego promissor; de um casamento apaixonado à perda repentina; do luto doloroso a uma tentativa de restauração de seu afeto. Será este o inconstante trajeto de Nathalie, no qual a delicadeza estará sempre presente.

    Contudo, mesmo recheado de uma beleza romântica bem colocada, a sinuosidade dos caminhos da personagem fazem enfraquecer o filme, tornando-o irregular. Alternam-se momentos absolutamente sublimes – como o belíssimo e poético desfecho – com outros cheios de clichês românticos.

    A falha mais evidente está no roteiro, que dá uma série de voltas que não levam a lugar algum. Há uma intenção de criar um clima de estranheza, fazendo da história de Nathalie algo inusitado e fora dos padrões. A intenção é boa, pois desvincula o filme de roteiros previsíveis e personagens estereotipados. Contudo, pela dosagem exagerada, tem-se em alguns momentos a impressão de que a história se perdeu.

    O que ameniza esse descompasso no ritmo do filme é a entrada de Markus (François Damiens). Ele é o estranho colega de trabalho de Nathalie, um sueco desajeitado que vive na França. É este personagem o grande achado do filme, que cresce sempre que ele está em cena. Com jeito meio abobado e compartilhando de uma ingenuidade delicada, surgirá entre ele e a protagonista uma química improvável. E também as tiradas mais divertidas do filme.

    Sem os rodeios que tanto dispersam a trama, A Delicadeza do Amor poderia ser uma obra menos irregular e mais consistente. Mas mesmo com tantas falhas, a presença sempre bem temperada de Audrey Tautou e a espirituosa surpresa da atuação de François Damiens salvam o filme, impedindo um desastre açucarado e piegas. Nos momentos que acerta, é divertido, bonito e até poético.