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    A ENTREVISTA

    Sem graça, comédia só será lembrada pela polêmica que causou
    Por Gustavo Assumpção
    28/01/2015

    Grande motivação para o ataque hacker à Sony em novembro, A Entrevista certamente estaria condenado ao esquecimento se não estivesse relacionado ao maior escândalo da indústria do entretenimento nos últimos tempos. Com texto e piadas grosseiras, a comédia é apenas mais um besteirol típico da produção hollywoodiana.

    A Entrevista começa bem: no início, uma criança supostamente norte-coreana canta o hino de seu país. A legenda nos mostra, porém, que se trata apenas de uma sucessão de ofesas aos norte-americanos - uma sátira funcional da relação diplomática quase infantil mantida entre os Estados Unidos e a Coréia do Norte nos últimos anos.

    Nesta primeira parte, o longa constrói com bom ritmo seus personagens. James Franco é Dave Skylark, um apresentador de TV superstar que consegue grandes revelações de seus entrevistados. Seth Rogen é Aaron Rapoport, parceiro e amigo pessoal de Dave, além de grande responsável por suas conquistas. 

    Cansados de suas estrevistas com celebridades - há uma sequência realmente cômica em que Dave descobre algo inédito sobre o rapper Eminem -, eles bolam um plano para conseguir um trabalho de repercussão global: uma entrevista com o líder norte-coreano Kim Jong-un. Óbvio que a CIA entra na história e propõe um plano muito mais mirabolante: o assassinato do ditador.

    Se você estiver procurando por momentos realmente engraçados, dificilmente os encontrará na segunda parte do longa. A partir do momento em que dupla Dave e Aaron chegam à Coréia, o filme recorre a uma sucessão de estereótipos, investindo em piadas de cunho escatológico e sexista - é de fazer inveja aos trabalhos mais controversos de Adam Sandler.

    A sensação é que, entendiados em suas vidas pessoais (Franco e Rogen são amigos), os atores resolveram investir em um projeto qualquer para repetirem aquilo que são mestres: meia dúzia de piadas pouco engraçadas, uma crítica política rasa e praticamente inexistente e uma exigência mínima das capacidades do espectador. É exatamente o que já havia acontecido em Superbad - É Hoje ou Vizinhos.

    A Entrevista é um filme pedagógico. Criticar o filme por ser ofensivo aos norte-coreanos quando é o seu próprio governo quem os condena à repressão e à miséria é injusto. Mas isentá-lo de sua ajuda na construção de um discurso de ódio contra o oriente é igualmente inaceitável. No meio disso tudo, os cidadãos da Coréia do Norte. Para eles, pelo jeito ninguém está disposto a olhar.