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    A EPIDEMIA

    Sem menosprezar a inteligência do espectador, o filme mostra uma trama sem rodeios<br />
    Por Vanessa Ribeiro
    01/09/2010

    Em 1968, com A Noite dos Mortos-Vivos, George Romero inseriu com maestria um novo gênero cinematográfico, que conquistou uma legião de fãs ao redor do mundo. Os filmes sobre zumbis, embora ainda mal compreendidos por uma massa acostumada a blockbusters, cimentaram sua estética usando a sétima arte como adorno dessa loucura. Mortos-vivos que vagam pela terra devorando seu iguais hoje são parte da nossa cultura, por mais bizarro ou macabro que seja.

    Mas é justamente por seu aspecto tenebroso que os zumbis conquistaram um espaço de respeito entre os amantes do terror. O gênero trash flertou com Hollywood e se estabelece no cinema desde 1932, quando o diretor Victor Halperin lançou White Zombie, com Bela Lugosi no papel principal. De lá pra cá os comedores de cérebro se tornaram peças fundamentais nas obras de horror dos anos seguintes, chegando ao ano em que estamos.

    Felizmente, até hoje damos de cara com o intento de alguns diretores que investem e acreditam que histórias sobre/com zumbis nunca vão sucumbir.

    O longa A Epidemia é o mais recente trabalho feito para os cinemas com essa temática. Na verdade, o filme de Breck Eisner é uma refilmagem de O Exército de Extermínio, do mestre Romero, feito originalmente em 1973.

    Na história, a insanidade começa a tomar conta do local. O exército toma de assalto a cidade e, sem saber o que se passa, o xerife David Dutton (Timothy Olyphant), sua esposa Judy (Radha Mitchell) e outros moradores lutam com todas as forças para sobreviver ao ataque dos habitantes, que se tornaram frios assassinos e zumbis sedentos de sangue.

    Direto e sem introduções cansativas, o longa carrega uma característica interessante, já usada pelo próprio Romero em O Dia dos Mortos: os mortos-vivos pensam e criam estratégias para capturarem suas vítimas. Uma intenção que não deveria naturalmente fazer parte dos instintos de alguém que, oficialmente, está morto.

    Esse detalhe é visível em uma das cenas, na qual mãe e filho infectados emboscam uma vítima se escondendo e aguardando pacientemente o momento em que devem atacar. Dá a entender que o objetivo tanto de Romero, como de outros diretores que se dedicam ao tema, é passar a mensagem de quanto mais extrema for à situação na qual possa estar um ser humano, ele sempre apelará para seu estado primitivo de raciocínio.

    Sem brincar com linguagens subliminares ou menosprezar a inteligência do espectador, A Epidemia mostra uma trama sem rodeios, na qual, por conta de uma infecção, todos viram aberrações e os poucos que sobrevivem lutam por suas vidas. Daí o pretexto para contar uma história que, apesar de não trazer nada de inédito, ainda contamina a atenção do espectador.

    Não há como não torcer pelos quatro sujeitos que ainda buscam entender o porquê de sobreviverem a esse inferno enquanto seus amigos e parentes são massacrados. Afinal, a ambientação pós-apocalíptica, aliada a uma eficiente direção de fotografia que revela com precisão o desassossego de uma pequena cidade que respira o medo, é fundamental para criar empatia com os personagens.

    Os personagens passam por percalços típicos de filmes de terror, suspense ou de zumbis. Porém, o oxigênio desse tipo de trabalho é fornecido justamente pelos sustos esperados – e também os inesperados.

    Essa zumbilândia desenfreada que enfeita o cinema de um jeito nada sutil não perdeu a força na hora de apavorar. O gênero que sobrevive da paixão de seus fãs busca mais adeptos ao remanejar obras do passado, que foram marcos da quebra de pudor do público de terror.

    A Epidemia é um trabalho que se define de duas formas: quem é fã de filmes de zumbi, provavelmente vai perceber os códigos do filme de gênero. Já o público que não tem afeição por esse tipo de trama vai passar longe.