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    A ERA DO GELO

    Por Celso Sabadin
    22/03/2002

    Todos querem morder um pedaço do lucrativo mercado de desenhos animados de longa-metragem. A Fox não seria diferente. Depois de fracassar com o desenho Titan, a empresa decidiu se associar à Blue Sky Studios, dirigida pelo pioneiro em animação digital Chris Wedge. O primeiro resultado desta associação é o longa A Era do Gelo, que estréia neste final de semana em todo o Brasil.

    Guardadas as devidas proporções, a associação da Fox com Blue Sky tem paralelo à união da Disney com a Pixar Animation. E a julgar pelo primeiro resultado, a parceria pode dar muito certo. Totalmente digital, A Era do Gelo tem sua ação ambientada há 20 mil anos, momento em que milhões de animais migram em direção ao sul, fugindo do que seria o início do período glacial. Em meio à gigantesca migração, dois personagens se destacam: Manny, um mamute mal-humorado que teima em migrar em sentido contrário, e Sid, um bicho preguiça atrapalhado que foi deixado para trás pelos próprios companheiros. Associar Manny e Sid com Shrek e Burro é inevitável, já que a parceria é quase idêntica. Assim como Shrek, Manny é grandalhão, de poucos amigos, e prefere ficar sozinho. E igual a Burro, Sid é hiperativo e não pára de falar. As coincidências não param por aí: é quase impossível não lembrar do vilão Scar (de O Rei Leão), quando o tigre Diego aparece em cena. Mesmo a contragosto, Manny e Sid vão tentar esquecer suas diferenças e se unir por um ideal comum: salvar a vida de um bebê humano que se perdeu de sua tribo.

    Em termos técnicos, A Era do Gelo enche os olhos. Os cenários pré-históricos são grandiosos, os personagens têm carisma e personalidade, as texturas beiram a perfeição e os traços fluem com precisão. O roteiro, porém, deixa em aberto algumas questões, acima de tudo, mercadológicas. Por exemplo: como todos os personagens principais são masculinos, o público feminino não teria sido desprezado pelos produtores? As cenas excessivamente tristes que o desenho contém não poderiam desagradar ou mesmo assustar as crianças menores? Quem vai responder a estas perguntas será o público, na bilheteria.

    Enquanto isso, vale ressaltar que a entrada da Fox/Blue Sky no mercado traz uma concorrência saudável e bem-vinda a um segmento até agora dominado por Disney e Dreamworks. Quem ganha é o público.

    21 de março de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br