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    A ESCOLHA PERFEITA

    Filme tenta embarcar na onda dos filmes musicais jovens, mas perde força com seus personagens antipáticos
    Por Roberto Guerra
    05/12/2012

    É sempre assim: um filão começa a dar certo no cinema ou na TV e logo vem a turma das “Marias vão com as outras” tentando faturar em cima. Séries como Glee e High School Musical pavimentaram o caminho que tenta trilhar este longa sobre universitários americanos que se digladiam num concurso de música a capela. O resultado, no entanto, deixa a desejar. E muito!

    O problema central está do roteiro de Kay Cannon, que consegue reunir num mesmo filme os tipos mais antipáticos e idiotas possíveis. Você não se empolga nem torce por nenhum deles de fato. Mais: nem mesmo para quem o filme quer - mas não consegue - que o público simpatize. A fórmula é a mais batida o possível: colocar num mesmo balaio tipos estereotipados a exaustão, como a patricinha, o nerd, a descolada, a gorda, a tarada, o presunçoso, a esquisita e por aí vai... vai minando sua paciência.

    Estrelado pela boa atriz Anna Kendrick (de Amor sem Escalas) - que não sei o que está fazendo aqui -, o longa conta a história de Beca, jovem que acaba de entrar para a Universidade, mas que tem outros sonhos em mente. Ela quer ir para Los Angeles e tentar uma carreira como DJ. Seu pai, um professor da instituição, promete ajudá-la se ela se esforçar em se enturmar.

    Ela, que parece ser a única pessoa normal do local, resolve então se enturmar entrando para o time das Bellas, grupo feminino de canto a capela. O objetivo das Bellas é chegar novamente à final nacional da competição. O grupo anterior se desfez porque na última disputa, na prova final, a solista vomitou nos juízes. Agora a nova formação, que nada parece com as gerações anteriores, terá de se reinventar se quiser sair vitoriosa.

    A produção nasceu do livro Pitch Perfect – The Quest For Collegiate A Capella Group, do repórter da revista GQ Mickey Rapkin . Na obra, o jornalista relata os bastidores do competitivo mundo dos grupos a capela. No filme do estreante Jason Moore – que antes havia dirigido episódios das séries Dawson’s Creek e Everwood, esse universo é composto por tipos idiotizados que destilam um humor que raras vezes funciona. E a escatologia, claro, não fica só no vômito da solista que mencionei há pouco. É preciso colocar alguém nadando numa poça de vômito em outro momento do filme para ratificar o mau gosto.

    No final das contas, o melhor do filme é a homenagem que faz a Clube dos Cinco, clássico adolescente dirigido pelo mestre no assunto, John Hughes, em 1985. Este ficou para a história. Já de A Escolha Perfeita ninguém irá lembrar minutos depois da sessão.