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    A ESPOSA

    Por Pedro Venturini
    02/03/2019

    A Esposa é um drama um tanto inquieto baseado no livro "The Wife" de Meg Wolitzer e dirigido pelo sueco Björn Runge que acompanha o casal Joan Castleman (Glenn Close) e Joseph/Joe Castleman (Jonathan Pryce) no momento em que ele se torna vencedor do Nobel de literatura.

    A trama tem início com Joseph recebendo uma ligação da acadêmia sueca revelando que ele havia vencido prêmio, e é a partir daí que o longa destacará a relação do casal de modo que faça o espectador compreender como Joan sempre é tida pelo marido como apenas uma companheira e apoiadora e não como também uma exímia escritora.

    Em meio as diversas tarefas de um vencedor do Nobel, como dar entrevistas, discursar, e ensaiar para a premiação, o longa passa a revelar as diversas crises existentes no relacionamento, como a infidelidade de Joe e os diversos casos que teve fora do matrimônio ao longo dos anos e sua postura de rebaixar Joan a um papel de uma esposa que apenas o auxilia e serve de inspiração para sua genialidade.

    É importante destacar que a atuação de Glenn Close é o que mantém o longa vivo, e o diretor soube bem utilizá-la com planos fechados que focam no rosto da atriz e em diversos momentos essa câmera mais próxima capta o misto de emoções que o longa busca transmitir e fazer entender pelo olhar da mulher em silêncio os sentimentos de solidão, passividade e amargura. As demais atuações não constroem laços profundos com a trama, tornando-se apáticas. Annie Starke (Joan jovem) e Harry Lloyd (Joe jovem) deveriam parecer cheios de energia e conflitos, mas acabam revelando pouco envolvimento entre sí, o que dificulta em justificar o amor de Joan atualmente por Joe. Temos como excessão o trabalho do experiente - e vencedor do Globo de Ouro - Cristian Slater como Nathaniel Bane, o insistente biografo de Joe que tenta a todo custo conseguir revelações sobre sua produção artística.

    Ao desenrolar da trama o espectador é cativado pelos acontecimentos que envolvem diversas revelações sobre o casal, e como isso leva a uma crise entre eles e o filho David (Max Irons). É no meio desse conflito, ainda há a insistência de Nathaniel em tentar revelar ao público a verdade sobre o vencedor do Nobel. É entre crises que o filme se sustenta, trazendo aos poucos os sentimentos de Joan em relação à premiação de Joe, como em certos momentos há uma passividade, em outros um desejo que de fosse ela a vencedora, e por fim, toda força que empenha em manter o legado do marido e sustentar as escolhas que fez.

    O uso de cores é um dos principais instrumentos do longa para criar a atmosfera necessária, com um início em tons claros de azul, e que ao decorrer da trama passam para tons mais escuros ressaltando a tristeza da mulher. O uso de tons pastéis também demonstra a evolução dos sentimentos retratados, principalmente nas cenas que se passam quando Joan e Joe ainda eram jovens escritores.

    Infelizmente, o longa peca consideravelmente em alguns momentos, como, por exemplo, nas cenas que se passam nas décadas anteriores, não condizendo com o tom da produção e parecendo estarem ali apenas para trazer as revelações necessárias sobre o enredo. Em suas cenas finais, A Esposa acaba se tornando um pouco corrido e com momentos que parecem tentar resumir a trama e amarrá-la para o desfecho que não satisfaz. Faltam os sentimentos e emoções conflituantes que permearam todo o decorrer da produção, deixando em aberto muito do que começávamos a compreender.

    A Esposa é um filme sobre uma mulher e sua capacidade de mesmo em conflito demonstrar sua força e sustentar suas escolhas. Além disso, é uma narrativa que nos revela como a atuação de uma atriz é capaz de nos levar a ignorar todos os pecados de um longa e fazer cada minuto diante da tela valer a pena.