cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    A ESTRADA

    É um filme que nos deixa com a boca seca e a mente em alerta
    Por Sérgio Alpendre
    22/04/2010

    A Estrada já começa surpreendendo, pois em seus primeiros momentos já somos jogados no interior das ações em uma época apocalíptica, sem que se saiba o que exatamente aconteceu para que o caos tomasse conta de tudo. Aos poucos, somos informados que existem os bons homens e os maus homens, aqueles que ajudam uns aos outros e aqueles que comem carne humana para sobreviver.

    Os sobreviventes ao que quer que tenha acontecido devem fazer o inimaginável para continuar vivendo, contrariando suas noções de ética e moral, vivendo como selvagens, excetuando o canibalismo e o assassinato. Um deles é Viggo Mortensen (Senhores do Crime), que vaga com o filho rumo ao sul, para fugir do rigoroso inverno sem aquecimento e comida. Sua mulher não resistiu ao caos e se matou, o que nos priva de admirar por mais tempo a beleza de Charlize Theron (Hancock).

    Os seres desesperados que encontram pelo caminho vão compondo, aos poucos e de forma aterrorizante, o panorama que se mostra cada vez mais desesperador. Como não há mais médicos, nem condições ideais para se salvar uma vida ou curar uma doença, os homens (maioria) e raras mulheres e crianças sabem que suas vidas estão no limiar.

    Talvez essa seja a grande discussão que se desprende do filme de John Hillcoat. Até que ponto a regressão da civilidade pode dinamitar a convivência em situações extremas? O tema faz eco à obra-prima O Anjo Exterminador, filme de Luis Buñuel que mostra um grupo de burgueses que não conseguem sair de uma sala após um jantar e por isso chegam a cometer atos bárbaros, como quebrar a parede para encontrar o encanamento e saciar a sede, ou conviver sem banho ou higiene, maldizendo o próximo porque este lhe roubou um valioso espaço.

    Que não se espere algo tão genial quanto o filme de Buñuel, mas Hillcoat dá conta do recado com certa firmeza na opção de não explicar muita coisa e de deixar o espectador fora do chão. Tudo parece possível de acontecer, o que acaba criando um clima de incerteza e suspense muito bem explorado pelos silêncios e planos médios que se sucedem ao longo de A Estrada. É um filme que nos deixa com a boca seca e a mente em alerta.