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    A ESTRADA 47

    Drama da Segunda Guerra Mundial não agrada
    Por Edu Fernandes
    06/05/2015

    Depois de uma certa repetição temática logo no início da Retomada, nos últimos anos o cinema brasileiro tem cada vez mais se aventurado por outros gêneros e assuntos. A Estrada 47 é exemplo dessa tentativa, com um drama de guerra ambientado no inverno italiano.

    Sob o comando do tenente Penha (Júlio Andrade, de Não Pare Na Pista: A Melhor História De Paulo Coelho), um grupo de pracinhas está isolado nas montanhas geladas. A detonação de minas terrestres desencadeia um ataque de pânico e dispersa os combatentes. Depois de reagrupados, o bando passa por uma série de encontros e situações que os leva à missão de liberar uma estrada para a passagem do Exército dos Estados Unidos.

    Todo o enredo é um pano de fundo para os dramas pessoais dos homens em cena. Portanto, o espectador não deve entrar na sala de projeção à procura de cenas de ação. A Estrada 47 é um filme sobre homens, não sobre o combate. Se não há ação, existem enquadramentos belos, favorecidos pela locação e pela direção de fotografia de Carlos Arango De Montis (O Ato De Matar).

    Um dos personagens principais é Guima (Daniel de Oliveira, de Boca do Lixo), soldado responsável pela descoberta e desarmamento das minas. Sua voz serve como narração pontual, em uma carta que escreve ao pai. O relato não traz redundâncias entre as cenas e o texto, na contracorrente de um vício do nosso cinema.

    Outra figura importante é Piauí (Francisco Gaspar, de Caixa Preta), soldado que começa o filme em estado de choque. Por não estar em controle de suas atitudes, o comportamento dele coloca em risco tanto a vida dos companheiros quanto a simpatia da plateia. Mais adiante, o personagem ganha a chance de se redimir por causa de sua relação com um prisioneiro alemão (Richard Sammel, de 3 Dias Para Matar).

    Os militares são acompanhados em sua jornada por um repórter (Ivo Canelas, de Florbela), mas o roteiro teima em insistir que o ator português interpreta um brasileiro. A escalação se explica pelo acordo de coprodução, que envolveu empresas de Brasil, Itália e Portugal. Canelas se esforça em seu discurso, mas o sotaque escapa em algumas falas e compromete a autenticidade.

    Com essas figuras e um roteiro articulado, A Estrada 47 cumpre a missão de compor um retrato humano de um contexto histórico. Entretanto, a opção torna o ritmo do filme bem vagaroso.