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    A ESTRANHA PERFEITA

    Por Angélica Bito
    13/04/2007

    Muitos apontam a carreira de Halle Berry um exemplo recente do que pode acontecer a uma atriz que ganha um Oscar inesperadamente. Premiada pela Academia em 2002 pela atuação em A Última Ceia, Halle passou a ser respeitada mais do que pelo seu belo rosto e corpo. No entanto, ela não conseguiu mostrar a força de seu papel no filme de Marc Forster nos trabalhos seguintes. O ponto alto da impopularidade da atriz pós-Oscar foi em Mulher-Gato (2004), considerado um dos piores filmes dos últimos tempos. A Estranha Perfeita não chega a se igualar à adaptação da HQ; também não é tão ruim quanto Na Companhia do Medo (2003), outro suspense protagonizado por Halle; mesmo assim, não chega nem perto do impacto que A Última Ceia teve na carreira da atriz.

    Ela interpreta a jornalista Rowena, personificando o perfil heróico da forma que esse tipo de profissional é constantemente retratado no cinema. Quando tenta denunciar um senador e não consegue graças a motivos políticos do jornal onde trabalha, ela pede demissão. Ao mesmo tempo, descobre que sua amiga de infância Grace (Nicki Aycox) foi assassinada. Juntando o tempo livre, o ímpeto do jornalismo investigativo e a sede pela justiça, Rowena conta com a ajuda do amigo metido a hacker Miles (Giovanni Ribisi) para investigar a fundo a morte da amiga. Seu principal suspeito é Harrison Hill (Bruce Willis), um poderoso publicitário nova-iorquino, charmoso e mulherengo nas horas vagas. Mesmo sendo casado com uma herdeira milionária, Hill não perde tempo em suas conquistas extraconjugais e rapidamente a bela jornalista entra em seu caminho. É travado, então, um jogo de sedução entre os dois.

    A direção de A Estranha Perfeita é assinada por James Foley, que dirigiu Madonna em Quem É Essa Garota? (1987) e Reese Witherspoon em seu primeiro papel de destaque no suspense Medo (1996). Sua experiência é suficiente para que o suspense no filme seja mantido de forma regular. No entanto, apesar de mostrar algumas reviravoltas, especialmente no desfecho, o roteiro de Todd Komarnicki é calcado em situações já vistas muitas vezes em produções do gênero. A construção dos personagens e as situações nas quais se encontram são tão previsíveis que nem mesmo a surpresa do final é capaz de satisfazer aquele espectador mais cansado dos clichês. Não falta nem a cena na qual um dos personagens resolve o mistério e o desvenda não somente ao público, mas também ao culpado. Quando o filme parece indicar que pode carregar algum erotismo, como no clássico Instinto Selvagem (1992), ele toma outro caminho e segue sendo conduzido pelo esperado. Mesmo com atuações convincentes dos protagonistas e alguns toques de sensualidade, em destaque para Giovanni Ribisi - cuja figura cai como uma luva para um personagem como este -, A Estranha Perfeita não consegue se sobressair num mar de suspenses similares, da mesma forma que Halle Berry, mais uma vez, não consegue ter outro destaque em sua carreira.