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    A FAMÍLIA BÉLIER

    Dramédia familiar mostra desafios do amadurecimento
    Por Gustavo Assumpção
    22/12/2014

    É perceptível que as dramédias vem ganhando espaço na produção cinematográfica francesa nos últimos anos. Depois dos sucessos de público e crítica Eu, Mamãe E Os Meninos e Intocáveis, um novo fenômeno chega aos cinemas brasileiros: A Família Bélier, um sensível trabalho do diretor Eric Lartigau que está conquistando as plateias por lá - e deve inclusive ganhar um remake em Hollywood no próximo ano.

    O roteiro segue Paula (Louane Emera, indicada ao Cesar pelo papel), uma adolescente que é a única que ouve em uma família de surdos. Ela é a intérprete responsável pela comunicação do pai Rodolphe (François Damiens), de sua mãe Gigi (Karine Viard) e de seu irmão Quentin (Luca Gelberg, o único membro do elenco realmente surdo) com o meio externo.

    Paula conhece a música em seu colégio e parece ter um talento a ser desenvolvido. Sua primeira ambição nas aulas é se aproximar de Gabriel (Ilan Bergala), mas seu professor (Eric Elmosnino) parece ter objetivos bem maiores: sob seu treinamento ele incentiva a menina a tentar vaga em uma concorrida escola de canto em Paris.

    Louane Emera veio do reality show The Voice e constrói seu personagem com a sensibilidade de uma veterana. Autêntica e carismática, sua personagem vai da comédia ao drama sem grandes atropelos, mostrando um intenso trabalho de caracterização. Quando canta - e há muita música em A Família Bélier -, seu domínio cênico fica ainda mais evidente. O trabalho de atuação ganha fôlego com a fotografia dessaturada de Romain Winding (Adeus, Minha Rainha), que parece deslocar os personagens de sua época - extremamente útil para uma história construída para ser atemporal.

    Mas o filme é muito mais do que sobre os conflitos típicos da adolescência ou a descoberta de nossas individualidades. É sobre um crescimento mútuo, que está relacionado com as decisões dessa garota. Ir à Paris, fazer aquilo que gosta, está diretamente ligado ao processo de sua emancipação social - quase como uma versão charmosa de Billy Elliot.
     
    O clímax final desconstrói nossas expectativas e resolve bem a que talvez seja a grande questão do roteiro: como apreciar o talento de sua própria filha sendo fisicamente incapaz de ouvi-lo? Se você não se emocionar com Je Vole, o clássico de Michel Sardou, ao final, certamente não tem um coração dentro do seu peito.