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    A FONTE DAS MULHERES

    Filme tem boa coesão temática, mas escorrega quando insere números musicais na trama
    Por Edu Fernandes
    16/01/2012

    Quando é preciso administrar elementos de vários gêneros dentro de um mesmo filme, é fácil obter um resultado desastroso. Felizmente, A Fonta das Mulheres consegue equilibrar suas numerosas influências e ter um saldo positivo, apesar de alguns deslizes.

    Como em muitos faroestes, o personagem principal é um forasteiro, que deve lutar contra o preconceito que sofre para conseguir mudar algo na comunidade onde está inserido. No caso da coprodução europeia, trata-se de uma protagonista. Leila (Leïla Bekhti) deixa sua terra-natal por amor a seu marido e vai morar em um vilarejo junto com a família dele. Lá, ela ganha o apelido de Estrangeira e suporta os desmandos de sua sogra, que preferia que seu filho não tivesse se casado com uma forasteira.

    Por causa de uma seca que assola o vilarejo, as terras estão inférteis e os homens não têm trabalho. A renda da localidade depende do turismo. Frequentemente as mulheres precisam deslocar-se até o alto de um morro próximo da aldeia para pegar água. A travessia traz seus perigos e muitas vezes acidentes acontecem. Depois de testemunhar uma amiga ter a gravidez interrompida por causa dessa jornada em busca da água, Leila resolve que é hora de tomar uma atitude.

    Sua ideia é propor que as mulheres se unam em uma greve de sexo até que os homens se disponham a ir pegar água a ajudar suas esposas nos afazeres domésticos. Nesse ponto, A Fonte das Mulheres inspira-se nas peças gregas. Em Lisístrata, de Aristófanes, as mulheres fazem seus homens passarem pela mesma privação para que uma guerra termine. Nos palcos gregos, a greve de sexo gera piadas. No filme, o resultado é um drama que questiona o papel da mulher na sociedade.

    Conforme o esperado, os homens recebem o protesto feminino de forma negativa. Afinal, querem manter a situação confortável em que se encontravam antes do protesto. Para isso, muitos brigam com as esposas, alguns de forma violenta.

    A forma encontrada pelas mulheres de manterem-se unidas no movimento e resistirem à reação masculina se dá pela música. Algumas cenas de A Fonte das Mulheres são na verdade números musicais. É nessa parte em que o filme torna-se irregular. As coreografias são fracas e há um enorme intervalo entre uma música e outra. Com isso, cada vez que os personagens começam a cantar, sente-se o mesmo estranhamento da primeira cena musical.

    A receita do filme só funciona porque há uma coesão temática. O roteiro fala de religião, cultura, machismo e outros assuntos, mas sempre para retratar a opressão que as mulheres sofrem naquela comunidade.