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    A FUGA (2012)

    Mistura de filme noir com faroeste moderno é coleção de mortes violentas e insinuações de incesto<br />
    Por Daniel Reininger
    11/03/2013

    Nem a direção de Stefan Ruzowitzky, cineasta austríaco ganhador do Oscar em 2008 por Os Falsários, consegue tirar A Fuga da lista de filmes genéricos. O longa, estrelado por Eric Bana (Hulk) e Olivia Wilde (Tron - O Legado), é uma mistura de filme noir com faroeste moderno, porém está mais para uma coleção aleatória de mortes violentas, apimentadas com insinuações de incesto e romances improváveis, do que um thriller propriamente dito.

    Logo fica claro que a produção tenta seguir o estilo gótico sulista (embora a obra se passe no norte dos EUA), com personagens perturbados, situações improváveis e violentas, romances proibidos e situações grotescas. Entretanto, nem chega perto de outro recente exemplo do gênero, Killer Joe – Matador de Aluguel, que dá uma aula de como abordar o gênero.

    A Fuga é ambientado no interior do nevado estado de Michigan, na véspera do Dia de Ação de Graças. Acompanha Addison (Eric Bana) e Liza (Olivia Wilde), casal de irmãos que acaba de assaltar um Cassino Indígena. Quando estão na estrada comemorando, sofrem um acidente. A chegada de um policial faz o lado psicopata de Addison aflorar e este o mata a sangue frio. Os irmãos, então, fogem floresta a dentro e se separam, assim como suas histórias.

    Em um segmento, Bana é o responsável pelos atos violentos. Depois de matar sua primeira vítima, para a qual chega a pedir perdão, rapidamente se mostra um serial killer ansioso por sangue. Mais para frente, até age como um anjo da morte, que se mete na vida de uma família aterrorizada por um padrasto abusivo, que o lembra de seu próprio pai. Seus encontros são absurdos e improváveis, porém divertidos.

    Já a Wilde cabe os momentos sensuais e afetuosos. Liza é uma garota traumatizada, abusada pelo pai na infância, e que sofre uma paixão incontrolável pelo próprio irmão – pelo menos até encontrar Jay (Charlie Hunnam), boxeador que mal saiu da prisão e já se meteu em outra confusão. O caminho dos dois se cruza quando a garota pega carona com o rapaz, mas a paixão relâmpago é difícil de levar a sério.

    A Fuga
    tem bons pontos, como um assassino implacável e irônico, famílias decadentes, cenas violentas, boa ambientação e perseguições. Entretanto, falta tudo isso ser convincente. Algumas decisões dos protagonistas são inexplicáveis e a variedade de elementos e personagens não permite que nenhum seja aprofundado realmente.

    O roteiro criado por Zach Dean é confuso e não consegue criar tensão o suficiente. A fotografia flerta com o noir sem ser capaz de aproveitar os contrastes de luzes e sombras de forma impactante. A cena final, durante a ceia de Ação de Graças, é preguiçosa e não causa a catarse necessária. Assim como todo o filme, fica apenas na promessa.