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    A GAIOLA DOURADA

    Comédia é divertida e emocionante na medida certa
    Por Roberto Guerra
    25/02/2014

    Sou capaz de apostar que mesmo o mais rabugento dos espectadores dificilmente deixará uma sessão dessa divertida e inteligente comédia incólume. O ator francês Ruben Alves faz sua estreia na direção com superioridade ao contar a história de Maria (Rita Blanco) e José Ribeiro (Joaquim de Almeida), casal português que vive na França há décadas e se depara com a oportunidade de voltar para Portugal.

    Ela sempre trabalhou como a prestativa zeladora de um edifício de classe média e ele como mestre de obras. Todos gostam deles, seja pela simpatia e humildade, seja pela inabalável boa vontade para ajudar quem precisa. Quando recebem a notícia de uma herança em Portugal, enxergam a chance de concretizar o velho sonho do regresso às raízes. Tudo parece perfeito até que familiares, moradores do edifício e o patrão de José – pouco interessados em perder sua amizade e, claro, utilidade - começam a organizar-se para demovê-los da ideia.

    Alves leva às telas uma história pessoal - ele é filhos de portugueses que residem na França há 40 anos. E faz isso com equilíbrio entre drama e comédia raro de se ver num diretor iniciante. Tudo em seu filme (da fotografia vívida, passando pela direção de arte esmerada e trilha sonora envolvente) conspira a favor da narrativa. Não bastasse, o eficiente cineasta soube aproveitar ao máximo o ótimo elenco que tinha sob seu comando.

    A Gaiola Dourada estabelece de pronto uma identificação com público. Personagens cativantes nos fazem rir ao passo que seus dramas e dilemas pessoais vão se adensando diante de nossos olhos. Mas o diretor não busca a complexidade e, consequentemente, não peca por excesso de pretensão. O filme assumidamente parte de lugares-comuns, de uma preconcepção do imigrante para buscar a individualidade de cada um. E o faz muito bem.

    Filme é aspiração e com A Gaiola Dourada Ruben Alves não intencionou fazer uma reflexão mais aprofundada sobre o drama da imigração. Quis tão somente levar ao público um recorte agradável da tradição portuguesa espalhada mundo a fora. Por isso, não não se recente em explorar clichês como o bacalhau, o fado, a paixão dos portugueses pelo futebol... Faz piada até mesmo com o "bigode" das portuguesas. Tudo muito ritmado, lapidado, sem excessos, seja nos momentos divertidos seja nos emotivos.

    Por falar em emoção, uma linda sequência acompanhada por um fado cantado pela atriz Catarina Wallenstein é pra não deixar ninguém indiferente. Se está querendo passar prazerosa hora e meia na sala de cinema e sair de lá enlevado e com um sorriso no rosto, embarque sem hesitação nesse sensível filme.