cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    A GAROTA DINAMARQUESA

    Filme traz tema transgressor, mas tem direção conservadora
    Por Iara Vasconcelos
    11/02/2016

    A transexualidade ainda é um assunto visto como tabu, mas que, aos poucos, vem sendo debatido com mais frequência na sociedade. Entretanto, essa realidade estava longe de ser a mesma nos anos 20, época em que é situada a trama de A Garota Dinamarquesa.

    O novo longa de Tom Hopper (O Discurso Do Rei), baseado no romance homônimo de David Ebershoff, conta a história de Lili Elbe (Eddie Redmayne), que nasceu Einar Mogens Wegener e foi a primeira pessoa a se submeter a uma cirurgia de mudança de gênero. O enredo é centrado no relacionamento amoroso do pintor dinamarquês com Gerda (Alicia Vikander) até sua decisão de assumir completamente sua identidade feminina.

    O filme procura mostrá-los como um casal a frente de seu tempo, característica comum no meio artístico da época. Os dois buscavam ascender como pintores e ocupar as paredes das grandes galerias com seus quadros, mas esse plano fica em segundo lugar quando Einar começa a se descobrir como mulher. Isso deixa exposto o preconceito que estava impregnado até nos ambientes mais libertários e como o casal lida com a situação é um dos pontos altos do drama.

    Apesar do tema controverso, Hopper entrega uma direção um tanto conservadora e sem riscos, com uma montagem tradicional, com saídas melodramáticas fáceis, e sem muitas reviravoltas no roteiro. Entretanto, Redmayne e Vikander cumprem bem o seu papel e deixam transparecer a fragilidade da situação retratada, além de possuírem uma química incrível, expressa nos olhares de cumplicidade entre os dois.

    O longa também parece meio nebuloso ao retratar Lili Elbe de forma erotizada no início, como se sua decisão de transicionar estivesse apenas ligada a uma fetichização da figura feminina, esse tom é derivado do próprio livro e foi bastante criticado na época de seu lançamento sob acusações de não retratarem a realidade.

    Mesmo com esses problemas, a direção de arte de Tom Weaving é primorosa e conduzida com muito cuidado. Os cenários e os figurinos têm inspirações na art nouveau e nas pinturas do artista Vilhelm Hammershøi e variam de acordo com as fases percorridas pelo protagonista.

    A verdade é que A Garota Dinamarquesa é um filme bastante consistente, mas esse mérito se deve mais pela falta de ousadia de sua construção do que pela direção acertada. A impressão que fica é a de que Tom Hopper, acreditando que o tema era suficientemente polêmico, não quis se comprometer e fez algo seguro em todos os aspectos. O lado bom é que a simplicidade da trama proporciona maior espaço para Redmayne e Vikander mostrarem porque são considerados as maiores apostas de Hollywood atualmente.