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    A GAROTA IDEAL

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    Estreia de Craig Gillespie na direção - cineasta que, no mesmo ano, dirigiu Em Pé de Guerra -, A Garota Ideal chega somente agora, dois anos depois, no circuito comercial brasileiro, depois de, em 2008, ter sido indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original. Diferentemente do outro filme citado dirigido pelo cineasta, este drama mostra-se um sensível retrato de um personagem capaz de conquistar não somente a empatia dos que o cercam na trama, mas principalmente do espectador.

    A história gira em torno de Lars Lindstrom (Ryan Gosling), um jovem que vive sozinho nos fundos da casa onde o irmão Gus (Paul Schneider) e sua esposa grávida Karin (Emily Mortimer) moram. Lars trabalha, vai à igreja, mas, não tem muito talento para lidar com outros seres humanos. Sempre desconfortável na presença de pessoas, foge como pode do convívio social, evitando mesmo no ambiente de trabalho. Ironicamente, ele acaba depositando numa boneca como as infláveis, mas extremamente real, seus afetos.

    O que parece, inicialmente, ser uma perversão - já que estas bonecas são utilizadas por seus solitários compradores para saciar necessidades sexuais - acaba sendo compreendido por todos ao redor de Lars. Suas questões revelam-se de cunho psicológico e todos na comunidade, desde o irmão e a cunhada, passando pela senhora da igreja e os colegas de trabalho, fazem de tudo apara ajudá-lo a, finalmente, superar os problemas com a perda que o personagem desenvolve ao longo de sua vida. Ironicamente, quem mais o ajuda nesse processo é o ser inanimado que chega à sua casa numa caixa de madeira.

    A excelente atuação de Ryan Gosling faz com que a premissa absurda de A Garota Ideal seja transformada num filme de sensibilidade única. Ao mesmo tempo, o roteiro complexo e sensível escrito por Nancy Oliver (estreante no texto de um longa após trabalhar em séries como A Sete Palmos) trabalha de uma forma plausível e emocionante o estado mental do protagonista, que, graças à sensibilidade de Gosling, nunca é retratado de forma a repetir clichês envolvendo personagens mentalmente perturbados.

    Existe uma dignidade, uma leveza no humor negro de A Garota Ideal que faz do filme uma rara obra que, independente do gênero no qual possa ser rotulada, cumpre o difícil e louvável papel de conquistar as emoções do espectador.