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    A GAROTA NO TREM

    Filme é incapaz de manter o suspense ou de aprofundar dramas
    Por Daniel Reininger
    24/10/2016

    Dizer que o livro é melhor que o filme já virou um dos maiores clichês da cultura pop, por isso vamos analisar A Garota No Trem como o longa falho que é e não por ser diferente ou inferior à obra original.

    A trama baseada no best seller de Paula Hawkins acompanha a emocionalmente instável Rachel (Emily Blunt), uma alcoólatra que nunca se recuperou do divórcio de Tom (Justin Theroux), que a traiu e a deixou por uma corretora chamada Anna (Rebecca Ferguson). Como resultado de sua depressão, ela pega o trem para Nova York que passa por sua antiga casa todo dia para ver a nova família feliz de seu ex. Entretanto, aos poucos, ela passa a se interessar por uma casa vizinha.

    Sua obsessão por Megan (Haley Bennett) e seu marido Scott (Luke Evans), vizinhos de seu ex-marido, se torna cada vez mais doentia, afinal Rachel passa a imaginar a vida do casal como perfeita e símbolo de tudo que perdeu. Quando vê a garota beijando outro homem, entra em parafuso, faz uma besteira, tem um blackout e acorda cheia de sangue. Tudo piora quando descobre que a garota desapareceu. Rachel se torna, então, a principal suspeita.

    A premissa é realmente boa, não é à toa que o livro se tornou um sucesso, o problema é que o filme é incapaz de manter o suspense, entregando o que realmente aconteceu desde muito cedo na trama. Até por isso, se volta demais para o drama pessoal das protagonistas, que é apresentado de forma simplória e atuações exageradas, a ponto de ficar difícil simpatizar com qualquer um dos personagens.

    O filme segue o formato do livro ao dividir a história entre Rachel, Megan e Anna, algo que não funciona bem na telona, culpa em parte da montagem, mas também da incapacidade do roteiro e da direção tornarem as cenas realmente relevantes para a narrativa. O pior é que essa perspectiva é, exatamente, o que entrega os acontecimentos logo de cara. Como consequência, o filme está repleto de momentos vazios, o ritmo se torna arrastado e não existem surpresas.

    Ao contrário de Garota Exemplar, cujo mistério também é fácil de prever, mas faz um trabalho melhor de apresentação dos personagens, seus dramas, medos e na crítica da ideia da esposa perfeita, Garota no Trem não compensa a falta de suspense com bons recortes da vida de cada protagonista. As atuações são forçadas, até mesmo de Emily Blunt, e os clichês reinam. A trama nunca se aprofunda de verdade, mesmo quando o roteiro tenta tratar de temas como alcoolismo, abuso e depressão. Como consequência, as personagens nunca vão além dos estereótipos iniciais.

    Tecnicamente sem grandes destaques visuais ou de trilha sonora, mesmo esta última assinada por Danny Elfman, A Garota No Trem depende demais do grande elenco, o qual, por sua vez, se mostra incapaz de ir além do roteiro raso da adaptação. Apesar da trama focar no clima de suspense, tudo é previsível. Com isso, o filme perde força e o desenvolvimento dos personagens também sofre e fica difícil gostar de qualquer personagem apresentado. A Garota no Trem pode ser um grande livro, mas como filme simplesmente não funciona como deveria.