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    A GRANDE APOSTA

    Adam McKay usa de soluções criativas para explicar Wall Street
    Por Iara Vasconcelos
    13/01/2016

    Como transformar um filme sobre a crise econômica dos Estados Unidos em uma comédia inteligente e dinâmica? Isso é algo que o diretor Adam McKay tirou de letra. Acostumado com as sátiras sobre jornalismo e política, a exemplo de Tudo Por Um Furo, O Âncora - A Lenda De Ron Burgundy e Os Candidatos, em A Grande Aposta ele abandona a estrutura clássica de narrativa e investe na inserção de trechos de telejornais, citações em off e até a participação massiva de celebridades, como Margot Robbie e Selena Gomes, que aparecem explicando o funcionamento e os jargões de Wall Street. Tudo isso regado a uma trilha rock e nostálgica com Gorillaz, Led Zeppelin e Nirvana.

    Baseada no livro A jogada do Século, de Michael Lewis, a trama acompanha quatro homens que anteciparam a crise imobiliária e econômica que acometeu os EUA em 2008. Na época, os bancos concederam créditos para que as pessoas pudessem financiar sua casa própria, mas quando a bolha imobiliária estourou, milhares ficaram sem lar e sem emprego, aumentando assim o número de inadimplentes e quebrando instituições financeiras de renome. Com isso, os protagonistas resolvem fazer um investimento arriscado, mas acabam no mercado negro bancário onde precisam questionar a tudo e a todos.

    Um dos pontos mais altos do filme é a construção de seus personagens. Enquanto Pitt carrega aquela malícia dos investidores, Bale aparece como um cara excêntrico e desequilibrado, que tem um olho de vidro e toca "bateria imaginária" em sua mesa. Aliás, tanto ele quanto seu colega de elenco Steve Carell, que interpreta um homem melodramático, possuem grandes chances de serem indicados ao Oscar 2016. O longa não possue um protagonista definido, Carrel, Ryan Gosling e Bale dividem a tela e o foco da trama igualmente.

    Se o diretor conseguiu superar o desafio da narrativa irregular sem atrapalhar o ritmo do filme, que flui sem grandes problemas, o mesmo não se pode dizer dos termos técnicos do universo financeiro, que apesar de explicados em pequenas esquetes, ainda deixam o espectador meio perdido.

    Ainda assim, Adam McKay e seu conjunto da obra acertam em cheio no nível de pretensão e contornam as dificuldades intrínsecas ao tema com soluções criativas. A quebra da quarta parede, onde os personagens interagem com o público através de perguntas ou com o olhar, e o roteiro cheio de referências pop fazem de A Grande Aposta um filme "cool", mas sem ser "cult".