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    A GUERRA DE HART

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Europa, Segunda Guerra Mundial. O tenente Thomas (o bom ator irlandês Colin Farrell), do exército norte-americano, cai prisioneiro dos nazistas e é levado a um campo de concentração. Lá chegando, ele encontra seus compatriotas prisioneiros sob o comando do coronel McNamara (Bruce Willis), um homem determinado, de rígida formação militar, que mantém um relacionamento cortês com o comandante alemão do campo.

    Logo, o tenente vai perceber que os nazistas não são seus únicos inimigos. A intolerância e o racismo dos próprios companheiros norte-americanos vão lhe mostrar que a guerra vai muito além dos limites demarcados com arame farpado.

    A Guerra de Hart é mais um filme que segue pelo caminho redescoberto pelo cinema, logo após O Resgate do Soldado Ryan: o do conflito mundial que assolou o planeta entre 1939 e 1945. Aqui, porém, o patriotismo é menos evidente e as fórmulas prontas mais diluídas. Apesar do final edificante e redentor, o filme foge do clichê fácil. O herói é quase um homem comum, um soldado que nunca lutou na frente de batalha que sucumbe rapidamente ao terror de um interrogatório. Os nazistas também não são mais aqueles carrascos sem alma pintados pelos filmes maniqueístas. O líder deles até ouve jazz. E o campo de prisioneiros também não é mais aquele inferno sem lei onde impera a crueldade. Livre dos lugares comuns, o filme evita o confronto fácil “mocinho x bandido” e humaniza seus personagens. Melhor para o público, que ganha um bom filme de guerra em que o drama dos personagens principais se sobrepõe às (poucas, mas bem produzidas) seqüências de ação.

    Dirigido de forma tradicional, porém segura, A Guerra de Hart é uma boa surpresa do mesmo diretor de Alta Freqüência e Possuídos. As locações na República Checa e a fotografia em tons frios ajudam na criação do clima de opressão do filme. E, para os caçadores de defeitos, uma dica: repare como nem sempre a cicatriz no rosto de Bruce Willis está exatamente na mesma posição.

    Nos EUA, o filme foi um retumbante fracasso: custou US$ 70 milhões e rendeu menos de 20.

    18 de abril de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br