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    A GUERRA DOS BOTÕES (2011)

    Filme é pura nostalgia, mas não ligada ao tempo no qual a história se passa, mas sim à relativa inocência infantil<br />
    Por Roberto Guerra
    03/07/2012

    Esta versão do livro A Guerra dos Botões, de Louis Pergaud, recentemente de domínio público, não é a primeira adaptação cinematográfica da história. A mais famosa é a de 1962, do diretor Yves Robert, sucesso arrebatador de público na França. A trama já havia sido filmada antes, pelo francês Jacques Daroy, com o título A Guerra dos Garotos, em 1936. Em 1994, ganhou nova refilmagem, uma coprodução Inglaterra-França-Japão dirigida por John Roberts e ambientada na Irlanda.

    O novo remake, levado às telas pelo francês Yann Samuell (Ironias do Amor), não exerce o mesmo fascínio da bem dirigida versão de 1962, sem dúvida um dos melhores filmes sobre a infância – e um dos grandes manifestos pacifistas da história do cinema. No entanto, não deixa de ser uma agradável produção a resgatar uma inocência que já não existe mais nos filmes sobre (e para) crianças.

    A Guerra dos Botões é pura nostalgia, mas não necessariamente ligada ao tempo no qual a história se passa, mas sim à relativa ingenuidade infantil. Queria ter um filho na idade dos personagens para saber qual seria sua reação depois de assistir ao filme. O que pensaria ao ver uma realidade tão distante da dos garotos de hoje: meninos brincando ao ar livre, no mato, no campo, correndo e trepando em árvores, se jogando na lama?

    A história é ambientada na década de 60, numa aldeia no sul da França. Lá, um grupo de meninos, os Longeverne, com idades entre 7 a 12 anos, é liderado pelo jovem Lebrac numa guerra contra as crianças da aldeia vizinha, os Velrans, cujo chefe tem o apelido de Asteca. Trata-se de uma batalha impiedosa travada com espadas de madeira e estilingues na qual os pequenos soldados tentam de todas as formas não ser percebido pelos pais, o que fica difícil quando voltam para casa com as roupas rasgadas e sem botões. Aos poucos começa a ocorrer uma escalada do conflito - como em geral acontece nas guerras dos adultos -, que resulta em crueldade, prisões, delação, traição, e estratégias bélicas cada vez mais sofisticadas.

    Yann Samuell consegue extrair ótimas e realistas interpretações dos jovens atores, a maioria sem nenhuma experiência dramática. As tomadas dos enfrentamentos desorganizados dos meninos também são um dos pontos altos do longa, juntamente com as hilárias atuações dos professores das crianças que, por vezes, rivalizam exatamente como os alunos. Ao contrário do longa de 1962, que concentra sua atenção na relação entre os dois chefes mirins, esta versão preferiu destacar a história pessoal de Lebrac, que logo cedo é obrigado assumir o sustento da mãe e das duas irmãs depois da morte do pai. Entre o aprendizado de conceitos como liberdade e independência, ele terá de decidir ainda muito cedo sobre seu futuro.

    Um dos poucos pecados do filme é a inclusão na trama de Tintin, soldado da Guerra da Argélia (1954-1962) e irmão da namorada de Lebrac, Lanterna. Ele entra no filme aparentemente para dar um tom de seriedade, ou talvez deixar mais clara a analogia ao enfrentamento entre adultos, o que soa absolutamente desnecessário. O personagem aparece no filme sem nada acrescentar e sai dele sem deixar rastro, tampouco saudades. O deslize, no entanto, não diminui em nada o prazer de assistir a essa adorável e emocionante produção na qual crianças falam, divertem-se e agem como crianças. E não deveria ser assim sempre?