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    A ILHA (2005)

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    O começo de A Ilha engana. Quando você acha que o filme será uma ficção científica modernosa e interessante, acontece uma reviravolta e o longa torna-se somente mais um filme dirigido por Michael Bay (Armageddon e Pearl Harbor) com suas explosões e mais explosões. E mais algumas.

    Num futuro não definido, Lincoln Six-Echo (Ewan McGregor) mora no último refúgio longe da contaminação que tomou conta da Terra. Não somente seus atos, mas também seus pensamentos são monitorados, assim como seus relacionamentos interpessoais - numa situação já descrita por George Orwell no livro 1984. Como todos os outros habitantes desse local, Lincoln espera ser um dos escolhidos para chegar à Ilha, o último ponto não contaminado no planeta. McCord (Steve Buscemi) é um amigo seu que lhe mostra alguns prazeres da vida anterior a esta - como a bebida alcoólica - e é durante uma visita a ele que Lincoln encontra um inseto. O fato faz com que pense se não há outros lugares sem contaminação. Nessa procura, o protagonista descobre que pode estar inserido numa grande mentira: a tão sonhada Ilha não existe. Na verdade, a contaminação do mundo também não e, acompanhado da bela Jordan Two-Delta (Scarlett Johansson) - que está prestes a ser mandada ao falso paraíso -, Lincoln foge da redoma onde foram criados. Com a ajuda de McCord, fogem do grupo de Albert Laurent (Djimon Hounsou, de Constantine) que, em nome do chefão Merrick (Sean Bean), quer impedir que a informação possuída pela dupla vaze.

    Os dois fazem parte de um grande projeto: são clones de "patrocinadores", pessoas que os encomendam para terem órgãos na necessidade de um transplante. Os clones não passam de alguns quilos de carne preparada durante anos para o consumo de humanos que tenham dinheiro o suficiente. Durante todo o filme, há essa possibilidade dessa discussão pertinente à medida que a medicina avança. O vilão brinca de Deus e inventa um paraíso para seu rebanho. Os heróis, cujas mentes e memórias foram moldadas desde o momento em que vieram ao mundo, rebelam-se e contestam tudo que acreditaram.

    Cheio de conteúdo "aproveitável" e uma direção de arte futurista caprichadíssima, A Ilha acaba se perdendo ao exagerar exatamente naquilo que Michael Bay mais é especialista em fazer: filmes de ação. O roteiro, que começa tomando a direção de um Admirável Mundo Novo (livro escrito por Aldous Huxley), misturado a elementos de 1984, escorrega. Por isso, a impressão que fica no espectador é que são dois filmes. Enquanto os personagens correm, fogem e quase explodem, tudo parece ficar cada vez mais absurdo. Nem o fato de existirem clones para o transplante de órgãos é mais absurdo e impensável se comparado aos trancos e barrancos pelos quais passam o nosso casal de heróis.

    Além do argumento cheio de potencial, estamos lidando aqui com dois atores talentosos que apresentam uma boa química. Isso sem contar a trilha sonora, que não pára - inclusive, está aí um grande problema nas grandes produções recentes: parece que não se investe mais em efeitos sonoros para dar lugar às músicas, que não param durante o filme. Além de ser um desperdício artístico, A Ilha também desperdiçou dinheiro: custando US$ 122 milhões, faturou somente US$ 12 milhões no primeiro final de semana em cartaz nos EUA.