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    A INCRÍVEL HISTÓRIA DE ADALINE

    Retrato de Dorian Grey encontra Nicholas Sparks
    Por Daniel Reininger
    21/05/2015

    O Retrato De Dorian Gray encontra Nicholas Sparks em A Incrível História De Adaline, novo filme de Lee Toland Krieger (Celeste e Jesse Para Sempre), que acompanha uma mulher nascida em 1908 e incapaz de envelhecer. Apesar da estranha premissa, que flerta com a ficção-científica, sem se levar a sério, o filme funciona e consegue divertir com seu enredo leve e boas atuações.

    Embora o longa seja um romance bastante convencional, a narrativa inteligente garante o interesse do público até perto do final. Na trama, Blake Lively é Adaline Bowman, bela mulher presa à eterna juventude – algo mostrado tanto como benção quanto uma maldição pelo cineasta. Quando a vemos pela primeira vez, ela anda de táxi por São Francisco em busca de documentos falsos, para que possa assumir sua nova identidade, alterada a cada década. A priori a garota aparenta ser uma agente secreta da CIA ou algo assim, mas logo fica claro que ela é apenas uma mulher tentando viver com sua realidade.

    A trama chega a brincar com a teoria científica por trás da situação de Adaline, mas, claramente, o realismo passa longe e é apenas tratado com humor, principalmente, quando o narrador (algo desnecessário para a trama) cita que a teoria para o acontecido seria descoberta apenas em 2035. Krieger, porém, consegue capitalizar em cima da condição da protagonista e é capaz de dramatizar seu caso sem exageros, se rendendo apenas eventualmente ao melodrama.

    É claro que a premissa não passa de metáfora para solidão e medo de mudanças, além de ser a desculpa perfeita para a garota ter pavor de relacionamentos após a morte traumática de seu primeiro marido – aspectos importantes para a sua personalidade. Além disso, diferente de Eternamente Jovem, Adaline tem total controle sobre sua vida e entende perfeitamente as mudanças da sociedade ao longo do último século.

    Com poucas reviravoltas dramáticas, as coisas esquentam principalmente quando ela encontra Harrison Ford, seu antigo interesse romântico. A partir daí, o filme ganha momentum e deixa de ser apenas uma comédia romântica convencional, pelo menos por alguns minutos. Infelizmente, logo a obra se entrega de vez aos clichês que tentou evitar até aquele momento. Entretanto, Ford surpreende e rouba a cena com grande atuação e presença de tela.

    Porém, são exatamente nos momentos finais que o longa se perde. A trama, repleta de questões interessantes até então, se torna simplória e previsível demais. A curiosa história de Adaline perde força e termina incoerente e sem graça. Krieger desperdiça a chance de criar um final contundente, deixando-se cair no mesmo erro que tantos outros filmes / roteiros de comédias românticas fizeram até então.

    Mesmo assim, o filme é boa opção para quem quer fugir dos blockbusters de ação e aventura da temporada e está longe de ser desagradável. A Incrível História de Adaline ainda encanta pelo visual, principalmente nas cenas de flashback, momentos breves sobre a vida da protagonista, mas bastante funcionais, graças ao belo design de produção de Claude Pare e figurinos de Angus Strathie.