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    A LULA E A BALEIA

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    Tinha uma época na qual casais não se divorciavam. Isso era impensável. Mas a revolução sexual durante os anos 70 fez com que até casamentos se tornassem efêmeros. De repente, não ter de lidar com o divórcio dos pais poderia fazer com que uma criança se sentisse "outsider" em seu ambiente social. A Lula e a Baleia é uma comédia dramática como mostra como uma família tenta lidar com essa situação tão complicada.

    Com um elenco brilhante e roteiro deliciosamente ácido, A Lula e a Baleia mostra as conseqüências do divórcio de Bernard (Jeff Daniels) e Joan Berkman (Laura Linney) em suas próprias vidas e, principalmente, na de seus filhos, Walt (Jesse Eisenberg) e Frank (Owen Kline), nos anos 80. Bernard e Joan moram no bairro nova-iorquino do Brooklin. Ele é um escritor e professor que há muito tempo não escreve algo que seja publicado. Ela está começando a ter seus textos publicados em revistas literárias. Essa guerra de egos - que também coloca em jogo o papel da mulher na sociedade moderna - acaba ocasionando o fim do casamento dos Berkmans. E, claro, quem sofre com isso são os garotos. Walt, o mais velho, está começando a conhecer melhor as mulheres (no sentido sexual mesmo, caro leitor) e tem como referência seu pai, que, após o divórcio, começa a sair com uma de suas alunas. Já Frank prefere ficar na casa da mãe enquanto não consegue se controlar na escola, onde tem a estranha mania de espalhar seu esperma.

    Estranho? Pode apostar que sim. Mas essa estranheza é muito bem aproveitada pelo diretor Noah Baumbach, que usou suas memórias pessoais para o desenvolvimento desse roteiro (indicado ao Oscar). É evidente ao espectador que há muito de autobiográfico nesta história, também pela forma como o diretor é capaz de traduzir tão fielmente esse sentimento angustiante que é crescer em um lar despedaçado.

    A Lula e a Baleia tem alguns dos elementos que chamam a atenção dos fãs de filmes independentes, por isso tem passado com certo sucesso em festivais do gênero, como Sundance. Não é uma obra genial, nem mesmo revolucionária, mas pode ser considerada como a peça de um quebra-cabeça montado para formar um retrato fictício do reflexo da revolução sexual feminina num típico lar da classe média norte-americana.