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    A LUZ ENTRE OCEANOS

    Filme se perde e ganha contornos de tragédia grega
    Por Iara Vasconcelos
    01/11/2016

    O diretor Derek Cianfrance sempre gostou de retratar os relacionamentos sem os lirismos e a romantização que geralmente envolvem filmes do gênero, como comprovou no drama Namorados Para Sempre. Em A Luz Entre Oceanos, seu mais novo filme, ele volta a dar um "soco no estômago" do publico ao mostrar que o amor pode se transformar em ódio e desprezo bem mais rápido do que possamos imaginar.

    Adaptado do livro da australiana M. L. Stedman, o filme começa com Tom Sherbourne (Michael Fassbender), um solitário veterano da Primeira Guerra Mundial, aceitando um emprego como faroleiro em uma ilha distante e praticamente inabitada. Durante sua "entrevista", ele é apresentado a doce e determinada Isabel Graysmark (Alicia Vikander). Como já era de se esperar, o homem introspectivo e de coração fechado acaba se apaixonando pela moça e os dois se mudam para o farol.

    Depois de engravidar e perder o filho por duas vezes, Isabel acaba entrando em depressão. Entretanto, o aparecimento de um barco à deriva carregando um bebê e seu pai, já morto, lhe acende a esperança. Após insistir muito, e contra a vontade do marido, ela acaba ficando com a criança e a cria como se fosse sua filha biológica.

    O desenrolar desses fatos ocupa mais da metade do filme e não oferece muitos desafios ao espectador. É somente quando eles visitam os pais de Isabel e descobrem quem pode ser a verdadeira mãe da criança é que a trama consegue engatar e começa a prender o público. Mas o desfecho corrido acaba por prejudicar a execução.

    Ver os personagens de Fassbender e Vikander cometerem uma sucessão de erros é realmente desconcertante e um dos pontos que consegue envolver quem assiste, entretanto Derek Cianfrance pesa a mão nos recursos melodramáticos, fazendo com que o filme ganhe contornos de tragédia grega. Embora a atuação do casal protagonista seja de alto nível, o roteiro não tem muito o que oferecer para que eles se desenvolvam além do drama exacerbado.

    Cianfrance podia ter levantado questões éticas e morais – espaço para isso ele teve – mas preferiu seguir um caminho fácil e formulaico. Considerando que o filme foi apontado como forte candidato a disputar uma vaga no Oscar, isso nos leva a crer que as decisões do diretor foram pensadas. Infelizmente, A Luz Entre Oceanos não consegue encontrar sua identidade e acaba se transformando em um drama genérico.