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    DEIXA ROLAR

    Estreia de Justin Reardon é banhada em clichês desinteressantes
    Por Iara Vasconcelos
    10/06/2015

    Em sua estreia em longas-metragens, Justin Reardon certificou-se de usar os clichês mais famosos das comédias românticas. Com o trunfo de ter Chris Evans como protagonista, Deixa Rolar ameaça uma guinada para outra direção, aparentando de início ser uma espécie de anti-romance ou na linha realista como (500) Dias Com Ela e Alta Fidelidade, mas acaba caindo nos fatalismos do amor.

    Na trama, Evans vive um roteirista que se fechou completamente para relacionamentos sérios, resumindo suas interações com o sexo oposto em um jogo de gato e rato cujo objetivo é conseguir o maior número de transas casuais possíveis. Para simbolizar essa ruptura, ele possui um alter-ego imaginário que associa como seu coração. A figura funciona como uma espécie de conselheiro que está sempre a postos para garantir que ele não se apaixone.

    Acontece que ele é contratado para escrever uma comédia romântica, mas como fazê-lo se desacredita na existência do amor? Claramente isso não é problema, já que não demora muito para que ele se apaixone perdidamente pela "mulher perfeita". Interpretada por Michelle Monaghan, a moçoila possui qualidades admiráveis, além de ser linda e atraente, ela é uma filantropa que se dedica a todos os tipos de causa, desde alimentar crianças carentes na África, até salvar animais em extinção. Só há um porém: Ela é comprometida.

    Mas como o protagonista ( que no filme é identificado como "ele" ou "narrador") é um malandro de primeira e não desiste fácil, faz de tudo para se aproximar da bela morena, mesmo que para isso tenha que fingir gostos ou adotar uma personalidade que não lhe apetece. É aí que a trama segue por caminhos perigosos. O personagem de Evans acredita que é plenamente possível fazer uma mulher mudar de ideia, afinal, elas nunca sabem o que realmente querem, certo? "As mulheres querem ser disputadas. Querem ser desejadas", dizia seu avô. Só é necessário avisá-lo que não vivemos mais na década de 50.

    Ao longo do filme, temos a impressão de que o roteirista não precisa de um amor e sim de um psiquiatra. Em uma das cenas, ele arranca o anel de noivado da moça e joga em um lago, em uma atitude completamente desequilibrada. De quebra, o diretor ainda apela para a psicologia barata e tenta relacionar a atitude fria e fechada do homem com a falta da presença da mãe em sua infância.

    Deixa Rolar ainda consegue respirar entre as cenas cômicas lideradas por Aubrey Plaza e Luke Wilson – não por acaso que a comediante de Parks and Recreation faz o papel da amiga friendzoneada (que original) -, mas o filme é a prova viva de que um bom elenco não é suficiente para segurar um roteiro ruim. Pelos menos Evans ainda pode pegar seu escudo e partir para junto dos Vingadores.