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    A MÁQUINA DO TEMPO

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Não é apenas uma mera coincidência de sobrenomes: o diretor Simon Wells é bisneto do escritor H.G. Wells, autor do livro que originou esta nova versão de A Máquina do Tempo. Nova e totalmente descartável. Completamente perdida entre o romance, a aventura, a comédia, a ficção e o drama, A Máquina do Tempo é uma overdose de efeitos especiais que se afundam num roteiro sem amarração.

    O professor Alexander (Guy Pearce, de Amnésia) é um cientista visionário que constrói a máquina do título para tentar alterar o passado. Motivo: reverter a morte de sua namorada. Porém, sua invenção não apenas é incapaz de alterar os fatos já acontecidos, como também joga o cientista num futuro remoto, onde os seres humanos experimentaram um violento processo de mutação. Toda a magia do livro e dos filmes anteriores sobre o mesmo tema se perde numa direção extremamente frágil que não consegue dar rumo à trama. O filme passa todo instante atestando de que não deve ser levado a sério: sinais de civilizações pra lá de milenares permanecem intactos mesmo após uma hecatombe nuclear e dezenas de milhares de anos passados. Pedras de Nova York estão como novas num futuro remotíssimo. E até um guia virtual do Metropolitan de Nova York (personagem de Orlando Jones) ganha inteligência virtual e permanece vivo e ativo mesmo depois do fim do mundo. Por mais fantástica que possa ser a ficção científica, ela necessita transmitir algum tipo de credibilidade ao seu espectador, o que não acontece com A Máquina do Tempo.

    Parte desta total desamarração de roteiro e direção pode ser atribuída ao fato do diretor Wells ter sido vítima de um profundo estresse duas semanas antes do término das filmagens. Ele foi substituído por Gore Verbinski (o mesmo de A Mexicana) e retomou o trabalho na fase de pós-produção. Estresse também devem ter sofrido os produtores do filme, que custou US$ 80 milhões e rendeu pouco mais de US$ 50 nas bilheterias norte-americanas.

    Como desgraça pouca é bobagem, A Máquina do Tempo teve sua estréia adiada, nos EUA, de dezembro de 2001 para março deste ano, pois os produtores resolveram eliminar uma cena que mostrava uma chuva de meteoros sobre Nova York: as lembranças do atentado de 11 de setembro poderiam prejudicar a carreira do filme. E para encerrar, Guy Pearce quebrou uma costela durante as filmagens.

    Xô, uruca!

    18 de abril de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br