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    A MENINA SANTA

    Por Felippe Toloi
    22/05/2009

    O modo introspectivo e difuso das relações apresentadas em A Menina Santa é um dos motivos para eu não ter simpatizado tanto com esta produção dirigida por Lucrecia Martel, considerada uma das mais gratas revelações do cinema argentino atual. Mas existem outros.

    A película apresenta a história de Amália (María Alché), estudante de um colégio católico de Buenos Aires que, assim como suas companheiras de classe, em especial sua amiga e confidente Josefina (Julieta Zylberberg), vive à procura de alguma revelação, sinal místico ou religioso. Durante as aulas, ela aprende que esses tipos de sinais aparecem sem aviso ou definição, mas o roteiro não deixa claro que tipo de sinais são esses ou seus objetivos.

    Enquanto acompanha um concerto musical na rua, Amélia, envolvida pela sonoridade marcante de um teremim, é surpreendida pela presença de um homem, em suas costas, que encosta sua parte íntima na garota. O depravado é Dr. Jano (Carlos Belloso), um médico que está hospedado na cidade para participar de um congresso de otorrinolaringologia. Por coincidência, Jano está no mesmo hotel onde vive Amália, com sua mãe Helena (Mercedes Móran). Durante atividades na piscina do hotel, o médico casado permanece sem conseguir controlar suas tensões sexuais e desperta interesse por Helena, com quem começa a flertar.

    O "x" da questão é que a ingênua Amália, ao ser "tocada" por Jano entre a multidão, aceita o assédio como a resposta divina que tanto procurava. Pior ainda: ela passa a corresponder, fazendo com que o médico tenha uma reação inesperada durante o acontecimento. Para piorar, Amália vai procurá-lo ao saber que estão hospedados no mesmo lugar.

    Lucrecia usa um humor obscuro ao relacionar a religiosidade e a pedofilia. O filme, pessoal e sensível, aborda formas diversificadas de impulsos emocionais. Mesmo assim, o resultado é mediano. Os planos utilizados por Lucrecia são inventivos, construindo cenas inusitadas, como quando a câmera mostra, propositalmente, uma faxineira limpando a sala de espera do hotel em vez de dar seqüência correta ao momento de clímax do filme, que, na minha opinião, só pode ser explicada possivelmente como sendo uma leitura metafórica. Lucrecia mostra um bom trabalho de direção, mas não consegue seguir esse mesmo ritmo em se tratando do roteiro fraco e arrastado.

    O roteiro não consegue aprofundar a relação entre o carnal e o espiritual, o místico e o erótico, como parece pretender fazer no começo do longa, limitando a força de seus personagens. Lucrecia não se preocupa em fazer com que o espectador se identifique com eles, nem mesmo apresenta suas motivações. Tudo é vago e irrelevante e este é o maior pecado de A Menina Santa.