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    A MORTE TE DÁ PARABÉNS 2

    Por Pedro Venturini
    08/03/2019
    5/10

    A MORTE TE DÁ PARABÉNS 2

    14
    Terror

    Seguir os mesmos passos e reaproveitar as ferramentas de sucesso do filme anterior sempre parece uma boa ideia, o problema é quando a execução torna aquilo que poderia ser outra vez envolvente e curioso em uma sequência que busca apenas justificar os acontecimentos do primeiro longa e desperdiça muito do potencial. É com esse equívoco que A Morte Te Dá Parabéns 2, continuação do longa de 2017, precisa lidar ao trazer novamente Christopher Landon na direção.

    O longa retoma a narrativa no dia seguinte aos acontecimentos vistos no primeiro filme, dessa vez acompanhamos o já conhecido Ryan (Phi Vu) preso no mesmo ciclo de ser assassinado e retornar ao mesmo dia repetidas vezes, assim como Tree (Jessica Rothe) se viu durante o primeiro longa. Aos poucos, ambos partem em busca de explicações que mesclam elementos de sci-fi com muito humor e um pouco dos elementos slasher já apresentados anteriormente.

    Claro que é uma grata surpresa ver tantos elementos do primeiro longa já nas primeiras cenas da sequência, por exemplo, a pegada os jump scares, aquele humor que ri de si mesmo e das situações nos quais se encontram os personagens, fazendo com que as cenas sejam tão leves quanto improváveis. É dessa premissa que o longa não abre mão e que fizeram do primeiro filme um sucesso de bilheteria. No entanto, há erros na forma com que conduz a narrativa.

    Observar a perspectiva de um personagem diferente preso no mesmo ciclo vicioso é curioso e abre espaço para que o espectador imagine as diferentes reações que Ryan poderia ter tido, mas a decisão do roteiro foi a de retornar à perspectiva de Tree tão precipitadamente que os novos elementos passam a se perder. Com isso, o longa perde a oportunidade de explorar melhor um novo personagem tornando-o apenas mais uma das ferramentas usadas apenas justificar os acontecimentos anteriores e dar continuidade à história.

    A pegada sci-fi é uma ferramenta que abre algumas das diversas discussões trazidas, como a discussão ética que Tree passa a viver ao saber que sua mãe está em uma realidade paralela e que existe a possibilidade de permanecer ali e viver a vida que pertence à outra pessoa. O rumo da produção introduz novas vertentes à franquia, deixando assim aberta a possibilidade de uma nova sequência. Será?

    Outro grande problema do longa é que muito do potencial, seja em aproveitar melhor os personagens e a ambientação já construída no anterior, é desperdiçado com um roteiro que em boa parte do tempo se prende em justificar os fatos ocorridos no antecessor e acaba não empolgando por se tornar previsível e carregado de soluções fáceis. Tratando-se de uma produção sobre viagens no tempo e multiverso as possibilidades de se inovar são inúmeras, mas poucas vezes vemos isso acontecer.

    As atuações conseguem manter o clima leve mesmo nas cenas mais dramáticas. Jessica Rothe é responsável por construir uma personagem que soa como um alívio para as tensões produzidas e no geral sua atuação é o que é necessário para manter a produção nos trilhos, equilibrando as doses de humor e suspense. Destacaria também a atuação de Phi Vu, que no primeiro longa já servia como um alívio cômico e é confortante vê-lo já no início da sequência como um jovem atrapalhado que se torna um dos destaques da produção. A forma com que os laços entre os personagens foram construídos alternam entre o óbvio cheio de reações esperadas e alguns momentos de ligações mais profundas e convincentes.

    É entre erros e acertos que A Morte Te Dá Parabéns 2 se sustenta, abrindo novas premissas para futuras sequências e enterrando outras soluções maravilhosas em um longa mal executado que não tem segurança para acreditar no universo que criou e na história que conta ao espectador. A sensação ao final do longa é de que de poderia ter sido melhor. Mas vale a pena se o espectador acreditar que todas as premissas abertas pelos elementos de ficção cinetífica podem justificar um segundo longa verdadeiramente bom. Do contrário, temos apenas bom potencial e empenho desperdiçados em uma produção que não sabe onde ir com seus acertos.