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    A NOITE DO JOGO

    Por Thamires Viana
    10/05/2018

    Dificilmente somos surpreendidos com comédias que trazem trama interessante e que não apelam para um humor descompromissado e cansativo, mas em toda regra há uma exceção. A Noite Do Jogo chega para quebrar o jejum dos fãs do gênero que já estavam carentes de boas risadas.

    Os personagens centrais são Max (Jason Bateman) e Annie (Rachel McAdams), um jovem casal competitivo que passa as noites disputando jogos com os amigos. Não à toa, já que de cara somos levados à noite em que eles se conheceram durante uma competição. O desenrolar da trama envolve Max e Annie, além de mais dois casais de amigos e um perigoso jogo montado pelo irmão mais velho de Max, Brooks (Kyle Chandler), que chega à cidade disposto a mostrar que não está para brincadeira. Ele planeja um falso sequestro e um dos três casais terá de descobrir para onde a vítima foi levada. O que eles não esperavam, era que algo sairia dos trilhos e deixaria a noite ainda mais agitada do que o esperado.

    Entre balas de festim e socos espontâneos, os casais embarcam em uma aventura que faz o espectador se divertir, torcer por eles e temer junto quando algum perigo se aproxima. Aqui tudo se mescla, mas o roteiro inteligente de Mark Perez faz com que a realidade e a ficção dentro da tela fluam perfeitamente, evitando que a história se torne confusa perante as mudanças de contexto. Uma das grandes sacadas do longa é também se poupar dos clichês e evitar cenas onde nada parece fazer sentido e que só servem para arrancar risadas. Em A Noite Do Jogo a trama não tem deslizes bruscos comuns no gênero e isso é o acerto da comédia que fez tudo o que pôde para passar longe do abismo da mesmice.

    A química entre McAdams e Bateman está longe de ser apenas como um casal. Eles se entrosam nas mais diversas áreas e passam por situações onde além de casados, precisam ser amigos, cúmplices e até adversários. É em ambos que se concentra uma das cenas mais engraçadas do longa. A identificação com a cumplicidade do casal faz a gente querer estar presente em todas as noites de jogos, até mesmo na mais conflituosa delas.

    O solitário policial Gary, vivido por Jesse Plemons, é também um grande ponto alto da comédia. Obcecado pelas competições promovidas pelos vizinhos, ele vira um personagem chave que define grande parte do enredo. Além disso, Michael C. Hall, famoso por viver o serial killer na série Dexter, dá vida ao temido Búlgaro, um grande vilão que chega para apavorar os casais.

    Com timing definido, atores bem escalados e cenas entrosadas umas com as outras, A Noite Do Jogo se distancia dos sub-gêneros de comédia romântica ou comédia dramática. Pelo contrário, o longa tem a difícil missão de fazer o espectador se divertir e curtir do início ao fim e faz isso com leveza, sem apelar para o drama ou para o romantismo. A comédia, embora seja descompromissada, traz em si uma essência que a fará ser um daqueles títulos que gostamos de recomendar aos demais.