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    A ORIGEM

    Christopher Nolan equilibra as exigências de Hollywood com um roteiro genial<br />
    Por Celso Sabadin
    01/09/2010

    Alguns filmes provam que é possível combinar ação e aventura com roteiros inteligentes. A Origem é um deles. Firme na direção e genial no roteiro, Christopher Nolan consegue se superar ao narrar – com precisão e maestria – esta intrigante mistura de ficção científica com drama romântico.

    Recomenda-se: não leve pipoca no cinema, não vá com a turma, não compre balas, e se levar a namorada... não namore. Faça xixi antes da sessão, deixe o celular em casa e prepare-se para não piscar. Qualquer espirro ou piscada de olhos mais demorada pode ser suficiente para fazer o espectador perder o fio da meada. Todo detalhe conta.

    A história fala de Don Cobb (Leonardo Di Caprio, firmando-se cada vez mais como um grande ator), um sujeito que comanda uma equipe especializada em espionagem comercial. Até aí, tudo bem. A grande sacada do roteiro é que, para roubar segredos, esta equipe desenvolveu uma tecnologia capaz de invadir as mentes das pessoas enquanto elas estão dormindo. Penetram assim nos subconscientes de suas vítimas, e retiram dali as informações necessárias aos seus clientes.

    O enrosco começa de verdade quando Saito (Ken Watanabe), um cliente muito especial, desafia que estes ”invasores de sonhos” entrem na mente de um concorrente não para roubar uma informação, mas sim para implantar uma ideia. Este implante seria o tal inception, título original do filme, absolutamente nada a ver com esta tal de “ A Origem” que os marqueteiros da distribuidora tiraram sabe-se lá de onde.

    Implantar uma ideia sua no cérebro de outra pessoa. Não seria exatamente este o grande mote dos tempos atuais regidos pelo marketing, pelo consumo desenfreado e pelas disputas de mercado? Repare: a cena em que a equipe de Cobb se reúne para discutir a possibilidade do inception, não por acaso, se assemelha muito a uma reunião de briefing de qualquer agência de propaganda.

    Independente de qualquer crítica social que o filme possa fazer ou não, é inegável que A Origem já pode ser considerado um dos grandes filmes do ano. Tenso, criativo, intrigante, inteligente e magnético. E ainda com espaço para uma rasgada e dolorosa história de amor.

    O inglês Nolan já havia chamado a atenção da crítica e do público com seu ótimo Amnésia, de 2000. Mais tarde, foi alçado ao Olimpo dos grandes diretores graças ao sucesso da “retomada” do personagem Batman em Batman Begins e O Cavaleiro das Trevas. Tanto um como o outro souberam equilibrar bons roteiros com ação comercial, equação das mais difíceis de serem concretizadas em Hollywood. Agora, com A Origem, Nolan atinge o ponto máximo de sua carreira. Pelo menos até agora. Afinal, um novo Batman escrito e dirigido por ele deve chegar aos cinemas em 2012…