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    A PELE

    Por Livia Brasil
    09/03/2007

    O ser humano possui uma inexplicável atração mórbida por determinados tipos de assuntos como tragédias alheias, o que explica o sucesso de alguns programas de televisão, publicações e sites com forte apelo pelo diferente e bizarro, mesmo sendo recriminado. A Pele consegue atingir esse nível de curiosidade pelo insólito, mas de uma maneira artística e culturalmente superior. Por conta da complexidade e bizarrice dos personagens, no entanto, o longa-metragem pode causar mais rejeição do que aceitação no público em geral.

    Baseado na biografia escrita por Patricia Bosworth, que também assina a produção do filme, A Pele é uma espécie de retrato imaginário - como o título original já diz: Fur: An Imaginary Portrait of Diane Arbus - sobre a vida de uma das mais notórias fotógrafas da década de 60, Diane Arbus (Nicole Kidman). Ela ficou conhecida por fotografar o bizarro e o inusitado, como pessoas com algum tipo de anomalia física, travestis, prostitutas, naturistas, artistas de circo, idosos em asilos, entre outros.

    A Pele mostra o período em que descobriu sua vocação, deixando de ser uma acanhada dama da sociedade, mãe e esposa dedicada para tornar-se uma fotógrafa respeitada por sua originalidade. Sua descoberta é motivada pelo recém-chegado e misterioso vizinho, Lionel Sweeney (Robert Downey Jr.).

    Dirigido por Steven Shainberg, o longa segue o mesmo caminho que seu filme anterior, A Secretária. Aprimorando-se cada vez mais na linguagem visual, o cineasta aborda temas que envolvem os mais bizarros e secretos desejos humanos, narrados de maneira natural, sem apelação. Dessa mesma forma, Nicole Kidman desenvolveu sua personagem, evidenciando cada fase e sentimento que a fotógrafa vive. O destaque na atuação de Robert Downey Jr. é justamente o fato de não conseguirmos identificá-lo de imediato, não sendo uma conseqüência da maquiagem utilizada, mas sim do trabalho dedicado ao personagem. Juntos, os protagonistas formam um casal complexo, sofisticado e incomum.

    O audacioso A Pele pode ser considerado uma linda história de amor por um público com mente aberta, capaz de enxergar a mesma intrigante beleza que Diane Arbus captava através das lentes de sua câmera.