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    A REBELIÃO

    Filme tenta ser minucioso em cada detalhe do episódio real e termina por se tornar cansativo e burocrático a certa altura
    Por Roberto Guerra
    29/08/2012

    Fazia uma manhã nublada e um pouco fria em São Paulo quando entrei numa sala de cinema da avenida Paulista para participar da sessão de imprensa de A Rebelião, filme do ator e diretor francês Mathieu Kassovitz, em cartaz no país no longa A Vida de Outra Mulher.

    Em poucos minutos fui transportado para Nova Caledônia, um ensolarado e paradisíaco território ultramarino francês localizado na Oceania - ainda fico fascinado com essa capacidade do cinema de nos transportar em instantes para lugares e situações tão distantes de nossa realidade.

    Em 2014, o povo desse arquipélago vai decidir em plebiscito se continua pertencendo à República Francesa ou se torna independente. Antes, em 1988, um episódio violento marcou a relação dos habitantes da região com o governo francês, quando guerreiros da tribo Kanak tomaram 27 policiais franceses como reféns e, numa ação desastrada, acabaram matando dois homens.

    Em resposta, o governo francês enviou ao país seus militares e um grupo especial antiterrorismo para negociar a rendição pacífica dos rebeldes. Mas a França vivia uma disputa eleitoral acirrada entre Jack Chirac e François Mitterrand e o desfecho do episódio acaba sendo determinado por interesses políticos, panorama pouco propício a decisões acertadas e coerentes.

    Desde o início do filme o espectador fica sabendo que algo deu muito errado. Vemos o capitão Philippe Legorjus (Kassovitz), do GIGN, grupo de elite francês especializado em terrorismo, atônito em meio a um trágico cenário de guerra onde não faltam corpos espalhados pelo chão. Depois do preâmbulo, o filme retrocede e vamos conhecendo o desenrolar dos acontecimentos que desencadearam o final trágico.

    A Rebelião é bem filmado, tem boas sequências de ação e mantém um estado de tensão constante no ar, algo necessário a um filme que envolve negociações de vida e morte. Sua abordagem aprofundada de como funcionam os meandros políticos, em que interesses pessoais e partidários sobrepujam questões humanitárias, também é elogiável. Ver Legorjus tentando uma saída pacífica e se sentido cada vez mais impotente diante dos interesses políticos é bem revelador de como, infelizmente, funciona o poder no mundo, seja aqui ou numa potência militar e econômica como a França.

    O filme, no entanto, sofre de um problema de execução. Se alonga demais, tenta ser minucioso em cada detalhe do episódio e termina por se tornar cansativo e burocrático a certa altura. Perde um tempo em explicações factuais que poderia ser gasto na humanização de certos personagens, como os militares, por exemplo, que são mostrados de forma maniqueísta como brutos armados. Faltou dinâmica para contar a história e, quando finalmente se chega ao embate final, tem-se a sensação de que o filme poderia ter 20 minutos a menos sem que isso prejudicasse o entendimento da trama.